sexta-feira, 5 de maio de 2017

O Processo 2

Fomos ver a continuação de 50 tons de cinza. Fiquei convencida de que ele não queria nada porque não me beijou no cinema. Não fez nem menção.
No final da noite, na porta da minha casa, quando coloquei a mão na maçaneta da porta do carro ele falou sobre beijo de despedida.
Olhei pra ele com muita dúvida. Tinha que sair fora. Ao mesmo tempo não iria perder nada se fosse ruim. Mas ele parecia tão novo. Tão atrapalhado. Tão sem saber o que queria.
Eu já havia desenvolvido por ele sentimentos de camaradagem. Conversara sobre as questões delicadas sexuais do filme como se fôssemos amigos e não houvesse a menor possibilidade de acontecer sexo entre nós.
E ele havia tido a noite toda. Havia estado ao meu lado o filme todo. Por que me dar beijo agora? Nos últimos segundos da prorrogação?
Falei bem desanimada que era melhor não. Coisa inútil, pensei. Ia ser sem graça. Não havia nenhuma tensão sexual entre nós. No final do terceiro encontro sem beijo, eu não tinha nenhuma pretensão ou expectativa mais.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas. E Deus existe sim.
O sr D desdenhou das minhas desculpas - porque no final das contas ele queria sim algo e não é um cara de se deter diante de uma mulher resistente. E me puxou suave e firme para a boca dele.
Começou a me beijar e parou, como se fosse pra ser só um beijo de despedida mesmo. A boca dele era ótima. Fiquei lá ainda e dei continuidade ao beijo.
Ele ficou sem graça. Falou alguma coisa e eu voltei ao beijo. Fiquei tão surpreendida. Era tão bom! Ah, só podia ser um presente de Deus.
Ficamos beijando mais algumas vezes mas logo ele deu uma de garoto e começou com a mão boba. Eu que já estava molhada preferi parar e descer do carro.

Nenhum comentário: