domingo, 14 de maio de 2017

Paradoxo do relacionamento

Quando você está solteiro, você pode não ter ninguém, mas tem todo mundo. E quando está num relacionamento você tem alguém, mas pode não ter ninguém.
Ninguém pra jogar conversa fora de madrugada. Ninguém pra fazer planos diferentes. Ninguém pra trocar insinuações.
Talvez esse alguém que se tem devesse cumprir essas tarefas. Mas a realidade não é assim. As pessoas são limitadas.
Particularmente, como bipolar, acho que detesto reconhecer o limite.
Tenho medo. Do Sr. D. Dele ser inexperiente demais e por isso me fazer sofrer.
Mas já sai com tanto cara mais velho que me chateou. Que sabia muito bem o que estava fazendo.
Cada vez mais vejo que há um propósito de Deus nas coisas. Não acho que seja um grande plano. Mas um encaminhamento dos fatos. Ele coordena tudo. É incrível. Mas se não fosse, não seria Deus não é?
Hoje entrei numa loja e acabei passando o telefone do meu psiquiatra para um conhecido que precisava. Acho que Deus me usou.
Sem que a gente perceba as coisas vão acontecendo e gerando consequências boas. Das coisas mais ruins às vezes sugem as dádivas.
Acredito que Deus só queira nosso bem. E de qualquer forma seria muita pretensão querer entender o que ele quer com isso tudo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O Processo 2

Fomos ver a continuação de 50 tons de cinza. Fiquei convencida de que ele não queria nada porque não me beijou no cinema. Não fez nem menção.
No final da noite, na porta da minha casa, quando coloquei a mão na maçaneta da porta do carro ele falou sobre beijo de despedida.
Olhei pra ele com muita dúvida. Tinha que sair fora. Ao mesmo tempo não iria perder nada se fosse ruim. Mas ele parecia tão novo. Tão atrapalhado. Tão sem saber o que queria.
Eu já havia desenvolvido por ele sentimentos de camaradagem. Conversara sobre as questões delicadas sexuais do filme como se fôssemos amigos e não houvesse a menor possibilidade de acontecer sexo entre nós.
E ele havia tido a noite toda. Havia estado ao meu lado o filme todo. Por que me dar beijo agora? Nos últimos segundos da prorrogação?
Falei bem desanimada que era melhor não. Coisa inútil, pensei. Ia ser sem graça. Não havia nenhuma tensão sexual entre nós. No final do terceiro encontro sem beijo, eu não tinha nenhuma pretensão ou expectativa mais.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas. E Deus existe sim.
O sr D desdenhou das minhas desculpas - porque no final das contas ele queria sim algo e não é um cara de se deter diante de uma mulher resistente. E me puxou suave e firme para a boca dele.
Começou a me beijar e parou, como se fosse pra ser só um beijo de despedida mesmo. A boca dele era ótima. Fiquei lá ainda e dei continuidade ao beijo.
Ele ficou sem graça. Falou alguma coisa e eu voltei ao beijo. Fiquei tão surpreendida. Era tão bom! Ah, só podia ser um presente de Deus.
Ficamos beijando mais algumas vezes mas logo ele deu uma de garoto e começou com a mão boba. Eu que já estava molhada preferi parar e descer do carro.

O Processo

Levei aproximadamente um ano para elaborar meu ateísmo quando tinha 16 anos. A ideia começou em meados de 2002 e se solidificou em 2003. Foram 15 anos de puro existencialismo. De muita tranquilidade, porque colocar o assunto nesses termos resolveu o meu problema com a religião.
As pessoas sempre me falaram que eu estava assim porque ainda não tinha passado por alguma dificuldade séria na vida. Mas eu passei muita coisa. Não me orgulho disso, mas não pensei em Deus nesses momentos.
Penúria na época da faculdade. Tentativas de assalto. Solidão.  Desequilíbrio emocional. Brigas familiares. Decepções amorosas que me deixavam sem comer. A loucura da minha mãe. A morte da minha vó. A minha depressão.
Nunca pensei no conceito de Deus como uma necessidade. Como um instrumento de consolo.
Mas quando eu me vi diante de presentes tão bons num momento tão ruim, não acreditei na coincidência. Aquilo era Deus. Era incrível demais.
Primeiro que meu pai estava sendo acompanhado pelo médico mais influente do hospital. Apesar da preocupação e empenho deste em realizar todos os exames caros pelo SUS, nenhum diagnóstico era fechado.
Estava desenganada. Meu pai não tinha energia para usar o banheiro. Conversava todos os dias com um amigo médico que me explicava que havia sintomas de câncer. Eu pesquisava e pesquisava. O médico chamava todos os especialistas para tentar um diagnóstico.
Mas a cada exame eu comemorava. Não dava nada! O tumor não estava nos pulmões. Não estava no estômago. Não estava no cérebro. Não estava nos rins.
Até que restou a coluna. Só podia estar na coluna. A cintilografia óssea indicava. Um oncologista começou a ajudar no caso. O clínico me chamou no corredor: seu pai tem um câncer grave (sinais no pulmão parecia indicar metástase). Ele queria tirar minhas esperanças e me fazer acreditar que mesmo com o tratamento adequado meu pai ia morrer logo.
Chorei de revolta no refeitório. De repente percebi que até então, apesar de ser um ambiente tão difícil, eu não havia visto ninguém chorando no hospital.
O sr D andava conversando comigo. Havia marcado um encontro mas parecia só amigo - não me beijara. Nessa noite, preocupado com minha tristeza, ele me chamou para ir ao cinema.
Eu me desesperei pouco antes do encontro. Não parava de chorar. Mas pensei: preciso parar de pensar nisso. Esse médico não sabe de nada. Vou ao cinema.

Deus NÃO está morto

Desde dezembro de 2016, estive numa tempestade. Meu pai piorou após tentar fazer tratamento psiquiátrico. Foi internado. Fez muitos exames e nada de diagnóstico. Foram noites, tardes e manhãs no quarto do hospital. Despejando marreco cheio de xixi no vaso. Procurando opções de alimentação que ele pudesse aceitar. Resolvendo todos os problemas da casa sozinha.
Para o médico dizer:
O estado do seu pai é muito grave. Estamos procurando um tumor que provavelmente está avançado. Tentaremos radioterapia mas é provável que o tratamento não dê certo e que percamos ele.

Os exames não eram conclusivos. Não se achava o tumor. Não havia diagnóstico. E ele queria que eu aceitasse que meu pai ia morrer.

No meio disso tudo, o sr D foi aproximando de mim. Os exames foram cada vez mais comprovando que meu pai não tinha câncer.
Aquilo era tão bom. Tão inacreditável que eu vi que só podia ter uma explicação. Deus existe. E cuida de nós. Não tem como tanta coisa boa acontecer por acaso. No meio de tanta desgraça.

Foi assim que deixei de ser ateísta.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Novo amor

Estou vivendo uma fase ótima. Estou namorando. E apaixonada...
Ele é inteligente. Atrevido. Carinhoso. Vamos chama-lo Sr. D.
Eu tentei seguir o alfabeto. Do último namorado Sr. F, conheci Sr. G, I, J. Mas voltei conhecendo outro F. E enfim voltei mais uma letra.