terça-feira, 11 de outubro de 2016

Maturidade

Não sei como é para quem não tem transtorno de humor, mas para mim a maturidade chegou como uma bênção. Principalmente porque veio acompanhada de tratamento e estabilidade.
Quando a medicação falha - por ser utilizada de forma errada - e sinto o retorno de alguns sintomas, posso comparar.
No entanto, no melhor dos meus dias, as pessoas continuam me chamando de doida, por causa da minha personalidade excêntrica. Eu simplesmente estou sempre aberta à tudo e considerado qualquer ideia maluca primeiro antes de decartá-la.
Tenho interesses aparentemente conflitantes. Nos momentos mais sossegados sou antissocial e gosto de ficar lendo. E nos dias de hipomania prefiro dançar e ver gente. Sempre foi algo difícil de explicar isso porque todas as pessoas me relataram seus gostos de modo coerente. Os intelectuais não dançam e os dançarinos não gostam de ler. Os primeiros me classificam como baladeira e os últimos como nerd.
A cada dia mais satisfeita em ter recebido um diagnóstico antes de me matar, hoje estou tomando 125mg de lamotrigina (Leptico), 50mg de sertralina (Tolrest) e 0,25mg de alprazolam.

sábado, 8 de outubro de 2016

Solidão x Ansiedade

Algo que aprendo cada vez mais é que confundimos nossos sentimentos com nosso humor. É um emaranhado.
Agora pouco acordei com ansiedade. Pensei na minha solidão. E logo usei essa ideia para dar sentido ao mal estar.
Como se diz na psicanálise, a vida é uma busca por sentido.
Mas, pensei um pouco. Se estava sentindo ansiedade, o que isso teria a ver com a solidão? Solidão pode ser positiva ou negativa. Como tudo. E pude ver os dois elementos separados: solidão e ansiedade.
Era a hora de tomar os remédios. Pouco tempo depois a solidão me era indiferente. Sai para comer sozinha. E vi que era bom. Antes me esforçava para me entender com meu ex. Para ter conversas agradáveis. Para nos sentirmos bem, quando na verdade nossos problemas estavam inatingíveis em nós.
Sempre que os sintomas desagradáveis aparecem, até mesmo uma simples dor de cabeça, o indivíduo quer associar aquele mal estar à algo exterior. Expurgar o sentido. Tentativa de se sentir confortável psicologicamente com algo físico.
Não basta não se identificar com o sentimento como nos diz o Budismo. Precisamos dissociar nosso mal estar de nossos sentimentos. Os sentimentos são usados como veículos para direcionar o mal estar para o exterior, seja um objeto ou ideia.
Acho que o caminho é aceitar a dor como ela é, e procurar resolvê-la com se apresenta.
Talvez a confusão tenha origem quando o trajetória é oposta. Quando um fato causa um sentimento e este causa dor, passamos a associar mal estar à dor. Sentimento ao corpo. A partir daí qualquer mal estar terá de ser representado por um sentimento.
Mas como a depressão poderia significar que estamos tristes? Não estamos. Estamos doentes.
Como a mania seria o sentimento de que somos super-homens? Não é verdade.  Estamos desequilibrados, à beira de um surto.
Ter consciência disso é liberdade. O mundo é o mesmo. O que muda é o meu corpo. Minha mente não precisa sofrer com isso. Ela pode se libertar, se recusar a criar ou acreditar em solidão, abandono, raiva, inveja, tristeza, poder...
Se não somos nossas mentes, tão pouco somos os pensamentos que  associam a dor aos sentimentos.

(Peço desculpas por esses textos tão mal escritos, mas muitas vezes estou num estado de dificuldade de raciocínio e concentração, por causa dos sintomas e da medicação).

domingo, 2 de outubro de 2016

Evolução

Já até tomei o alprazolam para dormir mas precisava comentar aqui. O sucesso do meu tratamento. A diferença que fez na minha vida.
Estou muito satisfeita com as mudanças. Hoje eu percebi que a irritabilidade e o mal estar generalizado que me acompanharam a vida toda não existem mais.
Quem sabe que eu faço tratamento psiquiátrico tem pena de mim. Mas eu é que tenho pena deles. Muitos sofrem com graves sintomas de depressão e nem sabem. Nunca dormiram uma noite inteira. Nunca se sentiram confortáveis num ambiente diferente. Não têm vontade de ter vida social. Acham que a personalidade deles é assim. Que a vida é um fardo, todo mundo é insuportável e veem tudo pelo lado negativo.
Eu completei um ano de tratamento agora em junho. Mudou totalmente a minha vida.
Ainda há muito para melhorar. Mas já não sinto aquela irritabilidade sem motivo que me fazia chutar tudo e chorar no chão. Aquela vontade de sair correndo quando tinha que sentar à mesa com um grupo - no auge da depressão.
Fora isso, a maturidade também é algo maravilhoso. Vou completar 31 anos. E a experiência de vida que tenho é o maior valor em mim. Não é só a educação que é um bem que não se perde. A maturidade também.
Exemplo. Sai com um rapaz hoje, Sr. A bombado. Muito atraente. Mas isso não me causa mais o mesmo impacto. Eu vejo que eu não quero mais mesmo só sexo, prazer momentâneo. Isso não tem graça mais. Eu quero intimidade. Parceria.
Eu estou mais afinada ao princípio da realidade. Adiando um prazer de momento em favor de um prazer maior. Não quero mais perder tempo com envolvimentos que vão me machucar depois.
Eu sonhei que para chegar num lugar que eu queria precisava passar do lado de uma escada. Ela tampava a passagem. Eu poderia subir nela e pular pela lateral. Mas era de vidro com as quinas vivas, iria me cortar.
As pessoas generalizam e acham que os símbolos que Freud fala na Interpretação dos Sonhos são bobagens, por serem de outra cultura. Mas alguns são universais. Sem dúvida a escada é o prazer sexual que eu quero evitar para não me machucar.