quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Ciclagem ultradiana

Apesar do psiquiatra dizer que as categorias de doenças não servirem para a prática clínica e não querer confirmar nada, o que posso deduzir é que sou bipolar. Não só bipolar, mas de um tipo mais estranho. Não é o tipo que tem um episódio de mania por ano. Não é do tipo que tem umas quatro mudanças por ano. Não é do tipo que muda de humor por dias ou na mesma semana. Sou do tipo que muda no mesmo dia: ultradiana.
Sempre fui assim e nunca estranhei. Sempre atribui as mudanças ao mito da feminilidade. Aqui no interior se diz que "cabeça de mulher é igual barriga de égua".
Qualquer expansividade extra era atribuida à minha personalidade excêntrica. Sempre lidei bem com isso.
Na adolescência era famosa por minhas crises de riso ao tomar Coca Cola. Estapear garotos insolentes. Gritar e chorar por motivos variados. Ser indecisa. Volúvel. Anti social. Trocando o dia pela noite.  Mas sempre normal.
Agora essa. Por causa de sintomas de ansiedade chego a esse tratamento com antidepressivo e moderador de humor. E pelo parentesco com minha mãe a grande possibilidade de ser bipolar.

Do desespero

Só não há mesmo remédio é para a morte.
Se a vida é o presente que vivemos, porque nos abater pelo amanhã? Ou pelo ontem?
A vida é cada momento. A vida é cada copo de água fresca. Cada taça de vinho. E cada dose de remédio que tomamos.
Cada distração. Cada raciocínio. cada ideia.
Para tudo há solução. Apesar do nosso desespero ou êxtase - o mundo não acaba. A gente pensa que não vai aguentar. Mas aguenta sim. A dor. A vergonha. A catástrofe. A crise.
Somente a morte é definitiva. Mas depois da morte vamos nos preocupar com o que?