sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Como tentar sair da depressão antes de consultar o psiquiatra

Adoro vir aqui para escrever coisas boas.
Estive péssima. Cheguei sozinha ao diagnóstico/sentença: depressão. Hoje é o meu primeiro dia de recuperação. E também o último, porque se não entrei aqui para me lastimar é sinal que a crise passou.
Recuperei assim o sentido da vida do dia para a noite literalmente.
Vou passar a receitinha: Como tentar sair da depressão antes de consultar o psiquiatra.
Até que dá um post bem chamativo.
Foi assim. Comei a dar aula. Fiquei louca. Fui despedida. Fiquei em casa com preguiça. A preguiça virou desânimo. O desânimo virou inanição. Disse: Vou ao psiquiatra.
Então o filho da puta do meu namorado falou: "Não é exagero?".
Você acha que é exagero? Só porque estou em casa (nem seguro desemprego consegui) sem dívidas ou com obrigação de passar em alguma prova agora eu tenho que estar FELIZ? Vamos pular essa parte porque experimentei remédios da minha mãe e passei muito mal... estilo dopada no manicômio.
Então, recebendo o apoio de uma amiga no whats app, resolvi ler sobre depressão. A gente sempre recebe muita informação sobre essas coisas da pós-modernidade, mas não retem nada até que seja imediatamente útil. Descobri meus erros e já fui logo corrigindo. Resumi assim:
1- Atividade Física: Eu não estou fazendo nem dança mais...
2- Rotina de sono: Com o mestrado, com bolsa, eu não tinha hora para dormir e conservei isso nos dias que não tinha que dar aula no primeiro horário... Depois de desempregada então...
3- Abuso de doces: Como sou magra, estável há mais de 10 anos, me dei o direito de comer qualquer quantidade de sorvete, há qualquer hora...
4-Alimentação: Escolhi dois alimentos relacionados à serotonina que vou comer todo dia agora: Banana e Nozes.
5-Bebida alcoólica: Não bebo muito. Mas com a depressão rondando é muito perigoso.
6-Ver as pequenas belezas da vida: Dispensa comentários, rs.
Foi só isso. Dormi mais cedo (hoje já estou passando da hora), acordei mais cedo, fiz uma caminhadinha. Dai já estava com outro astral, resolvi coisas que adiava há semanas. Cortei o sorvete, que vai ficar só para o fim de semana.
Eu não estou achando mais a vida horrível e sem sentido. Tomar banho não é mais a grande tarefa do meu dia.

sábado, 2 de agosto de 2014

DPD - Depressão pós-docência

Queria que esse blog fosse um conjunto de epifanias. Mas não é um caderno de anotações de coisas malucas que só brilham para mim, como no caso James Joyce. É só angústia.
Não tenho nada de concreto sobre o hoje para escrever. Mas tenho o sentimento de derrota de um semestre inteiro. Minha primeira decepção com a docência.
Ouvi infinitos comentários sobre esse desencanto, as experiências negativas, as dificuldades hercúleas, etc, etc. Mas é ainda pior do que me ameaçaram.
É como o horror da guerra apresentado por Lobo Antunes em Os cus de Judas. Nunca o horror foi tão eloquente. Confesso que não consegui terminar de ler. Comecei a passar mal.
E sobre leitura, estou lendo Dom Casmurro. Infelizmente não é uma releitura, vergonhosamente é a primeira leitura mesmo, porque na escola me mandaram ler Paulo Coelho. Triste, não é? A escola é sempre uma experiência sacrificante.
Meus adjetivos agora são: fracasso, preguiça, derrota, decadência. Às vezes penso que estou com uma leve depressão. Depressão pós-docência, existe isso? Quero estudar as personagens decadentes agora. Restos e sobras me interessam.
Não consigo me livrar da mania de não ir para cama cedo. Invento tudo para não ir para cama dormir, mesmo com sono. Tenho uma necessidade incontrolável de fazer algo no inicio da madrugada. Estou tomando Rivotril todas as noites para tentar me obrigar a ir dormir, sem êxito. Neurose pós-traumática, rs?

Só a literatura salva. O Rivotril está vencendo. Talvez até breve.