domingo, 26 de janeiro de 2014

Como encontrar blogs interessantes para ler

Nossa, quando procuro outros blogs pra ler sempre me desespero! O problema é comigo? Além desses aí da lista ao lado não consigo achar nada há anos. Acabo de jogar na busca "literatura e amor" e apareceu um blog bizarro cheio de dicas de livros estilo Crepúsculo e a máxima "vou estar postando..." rsrsrs. Tudo bem que sou crítica literária e não crítica de blogs, mas é inacreditável! Então olhei "literatura e erotismo" e apareceu um blog com uma foto super mega hiper grotesca de um homem sobre uma mulher num motel barato. O ângulo era bem da bunda do sujeito e a bolsa escrotal escura tampava a periquita dela. Descrição não é o meu forte. Não havia uma linha escrita! E tinha mais de 300 seguidores! rsrsrsrsrs. Não sei se é caso de rir ou de saúde pública.
Sempre que eu estiver mal humorada e os blogs que leio não tiverem postado nada vou fazer essas buscas aleatórias de novo. Incrível. Literatura comestível no mundo do gerundismo e o erotismo rebaixado a fotos que não merecem nem o título de pornografia.
Acontece que eu acabei de escrever minha dissertação!!! E posso me dar esse luxo de ler qualquer coisa.
Mas também não tenho estômago para tanto...
O velho poema concretista nunca esteve tão em voga né? Aquele dos manuais em que luxo repetidamente forma a palavra lixo.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Angústia e Amor

Estou terminando o mestrado. Cansada. Quero tempo para mim. Quero escrever minhas coisas.
Quero escrever qualquer coisa.
Hoje fiz uma viagem ao inferno do passado. Uma foto e um comentário foram suficientes para me fazer relembrar mil angústias de um passado muito remoto. Vertigem.
Por que dói tanto? Por que na verdade a ferida nunca fecha?
O passado volta e repentinamente não somos mais nós mesmos. Somos aquela coisa estranha, informe, que nunca teve nome, que não é ninguém. Quando todos os nomes caem, nossa dor está ali nua.
Quero sofrer.
E como sempre só a literatura salva. Porque somos feitos de palavras. "E o verbo fez-se carne..." Será que significava isso?
Não estamos doentes de literatura. Estamos doentes porque somos seres de palavras. E a literatura é o mundo dos seres de papel e tinta. A literatura é onde podemos desaparecer. Desaparecer é a única forma de lidar com a existência.
Uma bobagem. Uma maldita bobagem tirou todo meu chão. Tocou em algo tão delicado. Tão bem guardado. Agora sou obrigada a reviver isso.
Somos uma literatura. Talvez tenhamos clichês demais. Talvez sejamos previsíveis.
Hoje estou triste. E trocando de canal obsessivamente ouvi Luiz Felipe Pondé citar Kierkegaard. Falou sobre tristeza e autoconhecimento.
Kierkegaard me revolta porque disse que na verdade nunca pretendeu realmente casar com sua noiva. E eu odeio cenas de rejeição. Odeio porque minha primeira humilhação pública foi uma rejeição. Rejeição pública. Ainda na infância.
Isso cheira Graciliano. Infância, Angústia...
Não consegui ler Kierkegaard, há alguns meses, porque li isso na resumida biografia do prefácio. ("Isso" é sobre a rejeição da noiva a qual ele dedicou toda a sua obra).
Enquanto eu me preocupava com minha dissertação, meu namorado (preciso de um codinome-beija-flor pra ele, que tal o Big de Sex and the City?), então Big, é ele ficou na minha vida, apesar de tudo. Big apareceu lendo Sartre e eu descobri que sou existencialista. Tive que chegar a essa conclusão porque me identifiquei 100% com tudo que ele leu pra mim.
Morram de inveja que meu namorado lê Sartre pra mim. Não sei quem vai ter inveja disso, mas eu teria.
Pondé cita um livro de Kierkegaard sobre o amor. Como um cara que não viveu o amor pode ter escrito algo a respeito? EU PRECISO DESSE LIVRO. As obras do amor. Muita coincidência achar isso agora.

A filosofia da existência é uma educação pela angústia. Uma vez que paramos de mentir sobre nosso vazio e encontramos nossa "verdade", ainda que dolorosa, nos abrimos para uma existência autêntica. 

Angústia e amor são "virtudes práticas" que demandam coragem.Kierkegaard desconfia profundamente das pessoas que são dadas à felicidade fácil porque, para ele, toda forma de autoconhecimento começa com um profundo entristecimento consigo mesmo.
PONDÉ (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1306201117.htm)

E pensar que estava num caminho interessante e me desviei. Eu vi o Kierkegaard no Barthes. Uma citação sobre a figura do herói ter sempre a última palavra.
Hoje eu acho que quase, quase surtei. Porque repentinamente tudo fez tanto nexo que perdeu o sentido e eu só sentia uma dor, falta de ar. Havia aquela história ali, de 1996, na memória, confusa, e ao mesmo tempo se relacionando com tudo na minha vida. Mas aquilo também não era nada. Nada. A minha narrativa era falsa. Era falsa? Ideias sobre a possibilidade de que nada daquilo fosse verdade me assombraram.
Não precisava ter chegado nesse ponto. Eu deveria ter vindo aqui antes, aconteceram coisas terríveis ano passado.