quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A vida é curta

A vida é curta. Por que deveríamos investir em coisas, pessoas, situações, empregos que não valem a pena agora? Se não valem a pena agora depois vão valer? As coisas não vão melhorar. Ou vão. Mas vamos pagar para ver?

Estou doente. Estive doente em setembro, estive semana passada e ontem tive uma recaída. Provavelmente não vou poder apreciar nenhuma bebida alcoólica nessas festas de fim de ano.

Perguntei a ele: E nós? Ele me deu uma resposta bem longa, me explicou tudo o que pensava. Disse que não quer que o relacionamento assuma uma forma que possa nos limitar. Concordei que é realmente ruim passar o sábado juntos só porque adotamos o rótulo de namorados. Mas ele também disse que há dias em que simplesmente quer ficar sozinho. Que não está saindo com mais ninguém (fiquei calada sobre isso...). Que está tentando se equilibrar, ficar bem consigo mesmo. Razoável.

E depois jogou para mim: E você? – Eu gosto de você – respondi – simples assim.

E ainda questionou que eu tenho uma "vida social intensa" e que eu falei de relacionamento aberto duas vezes. Meu último relacionamento acabou por causa de traição. Se as pessoas têm tanta dificuldade em se manter fiéis por que fazem esses votos? Por que não ter um relacionamento mais flexível? Não quero que ninguém me prometa o que não pode cumprir. Eu levo essas coisas muito a sério.

Mas a vida é curta demais para que eu fique esperando que ele queira passar mais tempo comigo. Ele é um idiota. Quando nos conhecemos ele queria que a gente se visse todos os dias e me ligava todo dia. Isso me incomodava, porque mal o conhecia. Agora que já temos um tempinho e estou gostando dele, liga duas vezes por semana e a gente se vê uma ou duas vezes. Isso é idiotice. Uma vingancinha ridícula.

É verdade que ele está mais carinhoso. Mas sei lá, não quero ficar sempre esperando quando ele vai querer me ver.

Vi um filme triste e lindo. Aliás, dois. O primeiro se chama "Mammoth" não sei por que recebeu o nome de "Corações em conflito". Se fosse de língua portuguesa chamaria Saudade. Uma médica americana passa por momentos difíceis em que percebe que sua vida se resume ao trabalho e nunca está com a filha. Ela se apega a um menino que chega ao hospital esfaqueado pela própria mãe. A filha dela parece gostar mais da babá, que é quem está presente todo o tempo. A babá está em situação idêntica, pois é estrangeira e trabalha para dar uma vida melhor aos filhos que deixou em seu país de origem. É muita saudade. Há também o marido da americana que faz viagens a trabalho e se sente só. Numa viagem ele conhece uma prostituta, que também está longe de seu bebezinho.

A vida é curta. As pessoas passam muito tempo longe de quem elas gostam. Vale a pena viver assim?

O outro filme é "O solteirão". Após ter alta de um hospital psiquiátrico um quarentão esquisito vai passar uns dias na casa do irmão e conhece a assistente dele. Eles se gostam logo de início, mas são tão estranhos, complexos, bizarros que só conseguem brigar e ter situações desconcertantes. Aos poucos eles percebem que se gostam até que ele se declara.

A vida é curta e as pessoas demoram a reconhecer de quem elas gostam.

Se você sabe de quem você gosta, não perca tempo, vá ficar com ela.