terça-feira, 16 de novembro de 2010

L'amour

Meu pequeno príncipe fica melhor comigo quando não fica sabendo que vou fazer alguma coisa sem ele. Ele é muito vingativo. Terei que mentir quando for sair, algo tipo: que sono, vou dormir mais cedo hoje.
Hoje é um desses raros momentos em que escrevo sem estar desesperada, confusa ou dominada por alguma idéia ou sentimento. Estou é com tempo. Porque viajei sem ele, coisa imperdoável. Ele não me diz nada nessas ocasiões. Apenas recusa a minha companhia na próxima oportunidade.
Queria tanto beijá-lo. O beijo dele é tão bom. Diferente e bom. Na última vez que nos vimos ele me beijou tão pouco e falou tanto. Ele gosta de falar de suas convicções, do budismo, do hinduísmo, do comportamento das pessoas. Às vezes enche o saco. Mas é lindo vê-lo sorrir, contar casos exaltado, imitar as pessoas. Fiquei chocada quando li no O mundo como vontade e representação, uma citação da mesma obra que ele estava comentando comigo. Duas linhas de pensamento tão diferentes! Pelo menos eu achava que era...
Sábado tive a nítida sensação de que estava apaixonada por ele.

Pára tudo. Lembrei agora de um sonho que tive esses dias. Não pude contá-lo para absolutamente ninguém. Talvez não poderia contar nem pro analista, rs. Estou acompanhada de algumas colegas, umas três moças. Subimos algumas escadas juntas. Acho que a escada sempre pode simbolizar a excitação. É grosseiro isso, mas é tão comum. É verdadeiramente tosco, mas é como se funcionasse a mesma coisa, o mesmo símbolo, como Freud pensou na Interpretação dos Sonhos.
Pois bem, até aí está tranquilo. Num outro momento estou dançando zouk, que é como uma lambada lenta, como disse meu chefe, lento para se aproveitar bem. Mas no sonho estou dançando com uma mulher. Na verdade vejo a cena de fora. Vejo duas mulheres dançando zouk e acho que sou uma delas. E há um passo chamado cambré, onde a mulher joga todo o dorso para trás enquanto o homem a segura pelas mãos. A cabeça fica jogada para trás, o cabelo pode mesmo tocar o chão. Não, não vou contar tudo, imaginem a continuação. Vou dar uma de Kafka hoje.

Mas me aconteceu uma coisa engraçada nesse feriado. Estava de olho num colega de dança, não sei se comentei esse causo, mas ele parecia que estava "dando para trás" depois que eu me encontrei solteira novamente. Pois ontem ele se aproximou de mim novamente. E fiquei impressionada com a timidez dele. Entendi tudo. Ele não estava fazendo hora com a minha cara. É pura timidez mesmo. Mas uma timidez exagerada que me deixou constrangida. Ele é um ano mais novo que eu, acho. Ele me fez sentir como se tivéssemos 12 anos e fosse o primeiro beijo de nossas vidas.
Agora pense. Lembre de sua infância, adolescência, juventude, sei lá, quando você beijou pela primeira vez.
Lembre da sensação de estranhamento, desconforto, angústia, insegurança. Imagino que sentiu pelo menos um desses sentimentos. É difícil lembrar, não é? Mas imagine que uma situação lhe transporte totalmente de volta para esse tipo de situação. Como se você estivesse dentro desses pesadelos onde se tenta correr e o máximo que se consegue é rastejar, humilhantemente.
Vou deixar ele prosseguir no tempo dele. Não é possível ficar à vontade pelas pessoas. Só posso tentar conversar, sorrir, demonstrar que não há nada demais, que não há o que temer. Como gostaria de poder ajudá-lo; ele dança com tanta desenvoltura. Mas até que ele conseguiu me beijar, umas três vezes, rs. E segurar minha mão ou me abraçar pelos ombros quase todo o tempo.
O pior é que não aconteceu como eu fantasiava. Nunca acontece, não é? Imaginei que nosso primeiro beijo seria numa pista de dança, dançando bolero. Não com música de bolero mesmo, mas essas românticas internacionais que tem marcação parecida. E no momento final da música, ele faria o tradicional passo do beijo, mas ao contrário do usual, não iríamos olhar em direções opostas, ele me beijaria devagar, um beijo delicado, levemente úmido e progressivamente apertado e continuaria a me segurar enclinada todo o tempo, ignorando totalmente a próxima música e as pessoas no salão.
Foi com essas distrações que cheguei a conclusão que não estou tão apaixonada assim pelo cara de 33 anos, meu pequeno iluminado, rs.

domingo, 7 de novembro de 2010

0 x 0

Ele me provou, a mais b, que é o amante perfeito. E eu não consegui relaxar.
Estou para começar a quarta parte de O mundo como vontade e representação. E não sei o que quero da vida.
Quero conhecer algo, um livro, um autor, uma teoria, um trabalho, uma causa, um homem ou uma mulher, que me arrebate!
Gostei de um filme que vi hoje do Woody Allen: Vichy, Cristina, Barcelona. Mostra uma situação, onde um casal só consegue equilibrar o relacionamento na presença de uma terceira pessoa. Pessoas de mente livre, que não se prendem à padrões. Gosto disso. Mas acabo sempre conhecendo pessoas quadradas.
Cada vez mais entendo porque as pessoas me definem como "alternativa".
Hoje é o grande dia. Vou participar de um espetáculo de dança de salão. Acho que será muito divertido.
O show tem que continuar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fudeu Vani


Cara, fudeu. Eu estou tão confusa que nem sei se vou conseguir escrever um texto. Só sei que preciso. Senão, vou enlouquecer.
É tudo por causa do tal cara mais velho. Percebo que nossas personalidades são parecidas demais. Em poucas palavras: ele é um menino mimado. E eu também .
Ele tem suas opiniões, não abre mão delas e acha que elas são as melhores. E eu também. Ele quer que as coisas sejam do jeito dele. Eu também. Ele quer que o sexo seja bom pra ele. E eu que seja bom pra mim. Mas ele também quer que o sexo seja bom pra mim. E eu pra ele. Mas ele não quer fazer as coisas como seria bom pra mim. E nem eu pra ele.
Somos muito parecidos. Ele não acredita. Também não acreditaria nele. Não sou do tipo que cede. Nem ele.
Estamos fodidos! Estamos fodidos? É isso que eu preciso saber. Não tinha nem conseguido descobrir se gosto dele mesmo e já tive esse drama.
O que me preocupa é que já passei por esse tipo de situação. E não terminou bem. Eu luto por esse tipo de cara até um certo ponto. Mas logo deixo de gostar dele. Não suporto essa pressão. E vejo que esse tipo de cara não suporta pressão alguma.
A minha grande verdade é que ele não consegue lidar com o fato de que é ruim de cama. Como a maioria dos homens. E eu sou uma idiota de ter feito ele ao menos pensar nessa hipótese. Fudi com tudo. Eu esqueci que esse tipo de pessoa é especialmente sensível, irritável e melindrosa. Provavelmente a auto estima dele foi pro saco. E daí sobrou pra mim. E foi a vez dele fuder com minha estabilidade emocional.
E fiquei ainda mais insegura com o sexo. Acho que a grande lição que tenho que aprender sobre o sexo e o amor, é que fingir prazer pode evitar um desprazer muito maior depois. Ah se seu soubesse! Se eu soubesse!
Caraca! Mas eu nem cheguei a comentar com ele o fato de que na vez anterior, tão louvada por ele, eu nem gozei! Foi bom, mas não gozei. E ele parece que nem se preocupou em saber. Não é à toa que a ex dele não gostava de sexo!
E cara, ele tem é razão. Acho que simplesmente não dá mesmo. Não há muito o que fazer. Ele não está disposto a aprender nada sobre as mulheres, nem sobre mim. É machista demais.
Forcei a barra demais. Deixei claro que não estava excitada. Foi demais pra ele. Ele é tão inocente. Tão bobo. Acha que é só ir tirando a roupa rápido e rumando para a penetração. Mas me sinto culpada. Ele é só um menino (mais velho que eu 8 anos), mas é um menino mimado. E eu deveria ter tido mais consideração. Pegado leve. Esperado, dado um tempo pra ele. Assim como ele não quis me dar um tempo, pegado leve, esperado a minha excitação aparecer com umas boas preliminares.
Mas você sabe por que ele acredita que é bom de cama? Porque todas as outras deixaram que fosse assim. Elas silenciaram. Elas preferiram, por ignorância ou lei do menor esforço, deixá-lo acreditar que era só aquilo mesmo e que não tinha nada demais.
E como eu não me calei, a casa caiu. Eu não devo mesmo ter a ilusão de que algum dia o sexo vai ser uma coisa tranqüila na minha vida. Os homens são todos iguais. E ai de quem diga que eles não sabem fazer sexo.
Tenho uma escolha: finjo que está bom e ganho a confiança deles, ou quebro o pau e faço eles saírem correndo.
Eu? Voltar pro analista e contar como foram ruins as minhas experiências? Nada disso. Ele que vá lá. Eu sei o que eu quero. E sei gozar sozinha também.
Sei que ele está pensando a mesma coisa. É isso que me deixa perturbada.
Ele me enganou. Na primeira vez, fez um monte de preliminares deliciosas. Me deixou doida e tals. Da segunda, disse que me esperaria o quanto fosse preciso, vez alguma coisa e ainda foi bom. Dessa terceira vez ele queria que fosse instantâneo. Estilo uma rapidinha. E ainda disse que ficou impaciente. Eu não mereço isso.
E se ele acha que eu não mereço um desempenho melhor é muito justo que pare por aí mesmo. Ele tem toda razão em sentir que não pode corresponder minha expectativa. Porque ele não pode mesmo. O que dói é saber que o que ele disse, no fundo é verdade. Ele não é bom o suficiente. E nós dois sabemos disso. É a única coisa sobre a qual concordamos.
Tanta coisa ruim. E eu nem vou comentar a vitória da Dilma. Fudeu!