domingo, 10 de outubro de 2010

Outra notícia bombástica

Larguei a análise. Fui a duas sessões apenas. É difícil explicar o porquê. Poderia ficar aqui tecendo mil desculpas. A verdade é que talvez eu nem saiba. Bem, sempre se pode botar a culpa na "resistência do inconsciente".

Mas posso dar dois motivos estopim básicos. O primeiro é que ele me perguntou sobre porque eu disse que o pior do meu último relacionamento foi o sexo. Absolutamente não quero falar sobre isso. E segundo foi que tive um surto consumista esses dias e gastei parte do dinheiro que deveria pagar as próximas sessões do mês. Esse surto veio bem a calhar... confesso.

Estou mal. Acho que levei um fora hoje. Estava flertando com um colega da aula de dança há dias. Hoje, que houve uma oportunidade perfeita pra gente conversar a sós, ele misteriosamente ficou frio e reticente. Não entendi. Me senti rejeitada. Realmente, não se pode ganhar todas.

Estive me sentindo tão leve esta semana. Cheia de amor pra dar. Estilo "sei que estou amando, mas ainda não sei quem". Estou saindo com dois rapazes. Um já disse que é 5 anos mais velho. O outro é 5 anos mais novo, rs. Isso foi por acaso, explico, para que ninguém pense que foi uma necessidade neurótica de simetria. Além destes, há um rapaz literalmente da roça que fica me mandando mensagens lá da fazenda dele. Um dia ele virá na minha cidade me beijar. E tem o que conheci numa festa que beija bem demais. É engraçado, tenho observado que beijar bem não é sinônimo de excitação. O 5+ por exemplo, beija de um jeito diferente, meio louco, mas tem mais pegada que os outros.

Acho que estou num momento bom para ler Madame Bovary.

Mudando de assunto, preciso urgentemente fundamentar minha idéia para o projeto de mestrado. É o seguinte, o personagem é um neurótico típico, ele tem uma vivência bem marcada de sintomas. Eu queria jogar com essas coisas como possibilidades de se explorar o sentido, na psicanálise. Do modo como desenvolvi a idéia na monografia o ruivo barbudo da banca disse: você precisa trabalhar mais como introduzir outras disciplinas no seu trabalho, porque parece que o seu objetivo era apenas provar as idéias da psicanálise no romance.

O dilema é: não consigo trabalhar com outra coisa, estou agarrada de corpo e alma nessa história. E por outro lado não acho saída para misturar esses conteúdos adequadamente. Acho que tudo que fiz até agora foi com esse objetivo. Inclusive começar a fazer análise. Vale tudo. Tive vontade de falar pro analista: não quero que você seja meu analista, prefiro que seja meu orientador, rs.

Acho que eu deveria seguir lendo tudo o que há sobre o tema da angústia.

Coisas que têm ocupado minha mente com frequência: vontade de dançar, projeto de mestrado, paquerar na balada, compras, minha recém magreza assustadora.

Será que existe alguma outra doença ligada à alimentação que não seja bulimia nem anorexia? Porque depois da amigdalite meu apetite não voltou ao normal até hoje. E me assusto vendo como meus braços estão magrinhos. Ficar sem barriga é ótimo né, jamais poderia reclamar. Mas tem um vão enorme (exagero) entre as coxas. Ainda voltarei ao normal.

Um comentário:

josépacheco disse...

Post extraordinário A sua polimorfia, expressa numa confissão tão clara e bonita, é verdadeiramente refrescante. Na minha opinião de leigo, Florzinha não carece de análise alguma: conhece-se muito bem, gere-se perfeitamente, entre desilusões e alegrias. Mas quem sou eu para lho dizer?