sábado, 16 de outubro de 2010

Sexo e Angústia

Estou contente. Recebi um bom conselho: voltar a ler tudo sobre angústia, para me inspirar para o mestrado. E comecei a planejar minha bibliografia básica. Quero montar até um cronograma. O primeiro título já foi escolhido: O mundo como vontade e representação de Arthur Schopenhauer. Talvez o buraco seja mais embaixo. Para quê me prender à Freud ou à Teoria da Literatura se há tantos pensadores dando sopa por aí. Ampliarei aos poucos meu horizonte.

Enquanto isso, o fantasma do sexo ronda novamente. O maldito analista disse: você não pode mentir para si mesma. Mas ainda acho que viver é a única saída. O que adiantaria relatar todos aqueles momentos de angústia? De imediato nada. E ia demorar um bom tempo até haver transferência. Poderia fazer outro blog com o título: Sexo e Angústia.

Gosto como o sexo é tratado em Angústia do Graciliano Ramos. Primeiramente, o protagonista afirma que o amor/sexo sempre foram motivo de dor em sua vida. Ele vive situações onde ou não consegue satisfazer seu desejo, ou não há nem condições para o surgimento do desejo.

No início de sua vida sexual ele tenta sair com uma moça fria que só queria que ele pagasse o cinema pra ela. A moça deixa que ele faça o que quiser com suas pernas, desde que ela possa ver o filme. Algumas vezes saiu com uma prostituta que era até bacana. Algum episódio razoável todo mundo tem de ter. Tem uma outra prostituta velha que ele vai no quartinho dela à toa, quase que pra ajudá-la, só pra conversar mesmo. É tão, (so, so, so) deprimente. Ele fala da magreza e debilidade da mulher. Da pobreza e sujeira do ambiente. É a coisa mais broxante do mundo. Nossa, às vezes tudo é tão broxante, não é?

Em contrapartida, são tão quentes as cenas nas quais Luís dá uns amassos na mocinha da história! O Graça foi tão feliz na evolução da cena e na descrição do tesão. Adoro essa parte abaixo, eles eram apenas amigos, não havia rolado nada, estavam conversando sobre um emprego que Luís arrumaria para Marina:

"- Obrigada, Luís.

E estirou a mão. Levantei-me, tomei-lhe os dedos. O contato da pele quente deu-me tremuras, acendeu os desejos brutais que tinham esmorecido. Olhando-a de cima para baixo, via-lhe os seios, que subiam e desciam, as coxas, a curva dos quadris. Veio-me a tentação de rasgar-lhe a saia. E repetia como um demente:

- É porque lhe quero muito bem, Marina.

Apertei-lhe a mão, mordi-a, mordi o pulso e o braço. Marina, pálida, só fazia perguntar:

- Que é isso, Luís? Que doidice é essa?

Mas não se afastava. Desloquei as estacas podres, puxei Marina para junto de mim, abracei-a, beijei-lhe a boca, o colo. Enquanto fazia isto, as minhas mãos percorriam-lhe o corpo. Quando nos separamos, ficamos comendo-nos com os olhos, tremendo. Tudo em redor girava. E Marina estava tão perturbada que se esqueceu de recolher um peito que havia escapado da roupa. Eu queria mordê-lo e receava ao mesmo tempo que d. Adélia nos surpreendesse, encontrasse a filha descomposta." (pág 75/76, 2008, 63 ed.)

Essas loucuras repentinas é que são ótimas. O rapaz mais velho com quem estou saindo às vezes tem esses rompantes. Interrompe o que estou falando, me segura e beija. O beijo dele tem uns movimentos tão imprevisíveis. Mas só até aí que é bom. Nos amassos eu geralmente não fico à vontade. Não curto. Tudo fica estranho. Começo a pensar demais. Acabo constatando que não estou sentindo quase nada. Enquanto isso o cara sempre está louco, subindo pelas paredes, querendo tirar minha roupa de todo jeito. E tudo que eu quero é ir embora. Daí eu falo alguma frase besta do tipo: "acho melhor você se comportar, rs" ou "vai mais devagar", se ainda houver esperança. E "acho melhor a gente ir embora" é o último recurso.

Eu vivo como o Luís nesse tesão interrompido. Se eu tivesse mais consciência de que sou eu que corto meu barato, talvez tudo fosse mais fácil.

A questão é – diria o analista – porque você corta seu barato? Olho constrangida para o tapete peludo e não consigo pensar em nada.

Mas lembro que uma vez consegui constatar que esses apagões começaram após várias situações onde o sexo não levou ao orgasmo ou nem mesmo à um mínimo de prazer. É como se eu preferisse não me excitar para evitar uma provável frustração. A frustração nada mais é do que a própria angústia.

Para evitar a angústia é preciso evitar o sexo, causando também angústia, em menor proporção, no momento em que a excitação é interrompida. É uma medida válida, já que o objetivo é manter uma tensão mínima no aparelho psíquico. Não é mesmo viável permitir que a excitação sexual aumente deixando o organismo à mercê da insatisfação. Pois, nesse último caso, toda a libido é diretamente convertida em frustração, mal estar, angústia.

domingo, 10 de outubro de 2010

Outra notícia bombástica

Larguei a análise. Fui a duas sessões apenas. É difícil explicar o porquê. Poderia ficar aqui tecendo mil desculpas. A verdade é que talvez eu nem saiba. Bem, sempre se pode botar a culpa na "resistência do inconsciente".

Mas posso dar dois motivos estopim básicos. O primeiro é que ele me perguntou sobre porque eu disse que o pior do meu último relacionamento foi o sexo. Absolutamente não quero falar sobre isso. E segundo foi que tive um surto consumista esses dias e gastei parte do dinheiro que deveria pagar as próximas sessões do mês. Esse surto veio bem a calhar... confesso.

Estou mal. Acho que levei um fora hoje. Estava flertando com um colega da aula de dança há dias. Hoje, que houve uma oportunidade perfeita pra gente conversar a sós, ele misteriosamente ficou frio e reticente. Não entendi. Me senti rejeitada. Realmente, não se pode ganhar todas.

Estive me sentindo tão leve esta semana. Cheia de amor pra dar. Estilo "sei que estou amando, mas ainda não sei quem". Estou saindo com dois rapazes. Um já disse que é 5 anos mais velho. O outro é 5 anos mais novo, rs. Isso foi por acaso, explico, para que ninguém pense que foi uma necessidade neurótica de simetria. Além destes, há um rapaz literalmente da roça que fica me mandando mensagens lá da fazenda dele. Um dia ele virá na minha cidade me beijar. E tem o que conheci numa festa que beija bem demais. É engraçado, tenho observado que beijar bem não é sinônimo de excitação. O 5+ por exemplo, beija de um jeito diferente, meio louco, mas tem mais pegada que os outros.

Acho que estou num momento bom para ler Madame Bovary.

Mudando de assunto, preciso urgentemente fundamentar minha idéia para o projeto de mestrado. É o seguinte, o personagem é um neurótico típico, ele tem uma vivência bem marcada de sintomas. Eu queria jogar com essas coisas como possibilidades de se explorar o sentido, na psicanálise. Do modo como desenvolvi a idéia na monografia o ruivo barbudo da banca disse: você precisa trabalhar mais como introduzir outras disciplinas no seu trabalho, porque parece que o seu objetivo era apenas provar as idéias da psicanálise no romance.

O dilema é: não consigo trabalhar com outra coisa, estou agarrada de corpo e alma nessa história. E por outro lado não acho saída para misturar esses conteúdos adequadamente. Acho que tudo que fiz até agora foi com esse objetivo. Inclusive começar a fazer análise. Vale tudo. Tive vontade de falar pro analista: não quero que você seja meu analista, prefiro que seja meu orientador, rs.

Acho que eu deveria seguir lendo tudo o que há sobre o tema da angústia.

Coisas que têm ocupado minha mente com frequência: vontade de dançar, projeto de mestrado, paquerar na balada, compras, minha recém magreza assustadora.

Será que existe alguma outra doença ligada à alimentação que não seja bulimia nem anorexia? Porque depois da amigdalite meu apetite não voltou ao normal até hoje. E me assusto vendo como meus braços estão magrinhos. Ficar sem barriga é ótimo né, jamais poderia reclamar. Mas tem um vão enorme (exagero) entre as coxas. Ainda voltarei ao normal.