domingo, 26 de setembro de 2010

Minha análise

Tenho uma notícia bombástica: Comecei minha ANÁLISE! Assim, do nada. Antes dormir pensei: deveria ligar pra aquele único analista que conheço na cidade e ver se ele me indica alguém ou se posso fazer com ele mesmo. E no dia seguinte eu não enrolei, liguei mesmo, marquei pra mesma semana e fui.

Primeiramente fiquei impressionada com a decoração da sala. Que bom gosto! Que divã liiindo, moderno e estiloso. Isso é importante não é? Pra mim é.

Bom, não sei se foi uma boa idéia começar a análise agora porque no estou num ótimo momento da minha vida. Superei o término do namoro, não tenho mais insônia, há mais de seis meses não tenho crise de enxaqueca, não tenho mais aqueles pesadelos com meu pai. De modo que eu cheguei lá limpa, rs. Não tenho por onde começar.

Eu imaginava que na primeira entrevista seria apenas um bate papo, que ele falaria umas coisas tals, mas ele não falou quase nada e eu expliquei minha demanda em umas três frases, kkk. Foram os silêncios mais constrangedores da minha vida!

E eu estou com medo viu. Medo porque já me falaram que fazer análise é sempre muito angustiante. Medo de me desestabilizar, afinal eu custei a chegar no ponto que estou com tudo funcionando direitinho, as coisinhas recalcadas e os sintomas tranqüilos como num reloginho. Tenho medo da transferência também, do jeito que sou doida minha transferência pode se manifestar como uma paixão avassaladora, kkkk.

O livro que estou lendo é A Queda, de Albert Camus. Parece até uma análise, porque o protagonista vai falando, falando, falando, como se conversasse com alguém que nunca se manifesta. Enfim, um monólogo, ainda não saquei qual é a dele, mas é gostosinho.

E outro que vai falando, falando é o rapaz com o qual estou saindo. É a primeira vez que saio com um cara alguns anos mais velho. Ele me diverte, tem conteúdo, é carinhoso. O beijo não encaixou 100%, mas gosto do jeito diferente dele beijar.

Sei que começar a análise me deixou mais satisfeita comigo mesma.

domingo, 19 de setembro de 2010

Versão corrigida, simplificada e atualizada


Cheguei aqui hoje e não me reconheci na postagem anterior. Fiz uma versão simplificada abaixo.
Eu estava com tosse e pigarro há uma semana. Daí tive uma reunião de trabalho. Minha primeira reunião de verdade de trabalho de verdade na vida! E fui sozinha representando meu setor, mas era sobre o uso da net, aff. Então, o ar condicionado me fudeu. Foi só isso.
Fui à aula de Psicanálise. De cara, o palestrante era parecidíssimo com o Freud, com aquela barba branca. E como ele é empolgado! Ele explicou a formação do inconsciente assim: no início há traços de percepção, um desses traços é eleito e provoca uma inscrição no sujeito, o famoso traço unário. A partir daí outros traços vêm para tentar apagar o traço inicial, mas apenas fazem com que ele apareça mais. Eles tentam dar conta desse primeiro furo formando uma tela protetora, que é a linguagem.
Na hora de uma situação inusitada quem tem elementos pra pensar, cria explicações. Quem não tem cria um sintoma. Outra coisa bem legal que ele disse: O ato analítico faz o sujeito inventar algo para explicar, dando conta do mal estar do ato e assim, mostra a estrutura da fantasia dele. É um joguinho...
No dia seguinte tive de ir direto para o médico. Diagnóstico do otorrinolaringologista: amigdalite. E não conseguia engolir! Fiquei sem comer três dias. Achei essa minha frase ótima, a do não poder engolir. Pense na quantidade de coisas desagradáveis que temos de engolir no dia a dia e não sabemos lidar com elas? É ou não é motivo pra sintoma?
O barba branca disse que tudo na vida são as explicações que a gente dá para as coisas. Busca de explicação para o real. Interpretações que o sujeito faz da castração que sofreu. Tudo são só explicações que a gente dá para se acalmar. É estranho pensar nisso. Mas a gente corre atrás da explicação até encher páginas e páginas. E ela nem existe. Ou até encher consultas e consultas. Sempre supondo o tal saber do analista. E se afinal esse foi o sapo que não consegui engolir? Mas não, eu já estava com febre antes de ir para a aula. Mas se eu estou negando é sinal que veio direto do inconsciente.

sábado, 18 de setembro de 2010

Para quem gosta de postagem longa... ou A estrutura da minha fantasia

Estou doente, um perrengue. Eu estava com tosse e pigarro há uma semana, tomando chazinho. Na terça, estava bem melhor, praticamente curada. Nesse dia tive uma reunião de trabalho. Que emocionante! Minha primeira reunião de verdade de trabalho de verdade na vida! E fui sozinha representando meu setor. Se eu não tivesse lido "Totem e Tabu" diria que a doença foi por causa da inveja de outras pessoas do meu trabalho. Mas agora não tenho mais direito a essa explicação tão simples.

O objetivo da reunião era como sempre melhorar as coisas, cortar gastos, corrigir maus hábitos, propor mudanças. Na semana anterior usei um site que serve pra entrar no msn (aprendi isso na faculdade também), que obviamente fica bloqueado no meu trabalho. Fui à reunião, onde disseram que o uso desses sites está aumentando (e coisas bem piores também) e eles vão passar a fiscalizar a gente. A carapuça me serviu levemente e senti o quê? Não sei, algo tipo culpa. Fui almoçar chateada, sem saber o porquê, não sabia o que estava sentindo, apenas me lembrei de outro episódio da professora-Super-eu. Até fui buscar ajuda no meu periquito (no interior a gente volta em casa para almoçar), porque com ele não precisa usar palavras mesmo. Choraminguei um pouco e ele entrou na rodinha de ramister para me alegrar. Quando coloquei essa rodinha na gaiola dele todos riram de mim: só ratos é que brincam com isso. Mas sempre soube que ele era muito inteligente, um dia desses coloco um filminho dele no youtube. Vai ser um sucesso total.

A reunião me lembrou da seguinte situação. Uma vez, nos tempos da faculdade, eu adoeci gravemente, mais grave que agora. E tinha como sempre os trabalhos pra fazer. A professora era bem chata, que contava a vida dela toda ao invés de dar aula. E a matéria era mais picaretagem ainda, um assunto que ninguém estudou ainda e, portanto, não tinha nenhuma tradição, nem embasamento teórico. Ela queria que a gente lançasse a pedra fundamental pra ela usar.

Bom, tendo explicado previamente minha inocência, vou relatar o crime. O trabalho era em dupla. Já havia começado minha parte, feito um esquema bem tosco. E adoeci. E a febre tomou conta, dor, vômito. Chegou o dia de mandar minha parte pra dupla. O que eu fiz? Tava pra morrer mesmo (rs) mandei pra colega pensando: ela vai ler e vai cortar essas coisas ou chamar minha atenção. Tinha trechos que era de citação que não coloquei referência. E tinha uma idéia bem boa e maluca, tirada de uma matéria de psicanálise que eu estava fazendo. A psicanálise, sempre a psicanálise. A culpa é toda dela.

Se o importante era mandar o trabalho, mandamos. A menina até elogiou minha parte. Dias depois, quando voltei à aula, sem autorização do médico nem dos meus pais, muito abatida, ainda tomando antibióticos fortíssimos, massacrada com as palavras do médico de que eu poderia ter perdido meus rins e etc (mais uma coisa que eu não soube lidar) e preocupada com esse trabalho. A professora entrega os trabalhos. No final da aula ela conversou, conversou não, humilhou a minha pessoa e a da minha dupla. Disse que era caso de polícia, direitos autorais. Tentei mostrar meu atestado, ela nem quis ver, disse que estar doente não justifica um roubo, palavras que eu não tive reação. E ela nem fazia chamada, de que adiantava atestado? Minha dupla começou a chorar convulsivamente, o que me deixou mais chocada. Fiquei calada. Depois de ver as lágrimas da minha dupla ela deixou que a gente fizesse cada uma um trabalho novo. Que raiva. E até elogiou meu segundo trabalho. Super Nany.

Fui para casa tipo um zumbi. Fiquei como boa neurótica, horas, horas, me perguntando: sou inocente? Eu tinha escolha? Eu agi de má fé? Eu poderia ter feito de outra forma? Deveria ter deixado a dupla na mão? Deveria ter perdido os pontos e tentando passar com os outros pontos do semestre? Deveria ter abandonado a disciplina? Enfim, mil e um questionamentos. Achei que minha vida, principalmente a acadêmica havia acabado.

Fui à aula de Psicanálise essa semana, antes da doença me derrubar e foi tudo de bom. De cara, o palestrante era parecidíssimo com o Freud. Ele usa aquela barba do Freud velho, branca. E como ele é empolgado! Ele explicou a formação do inconsciente assim: no início há traços de percepção, um desses traços é eleito e provoca uma inscrição no sujeito, o famoso traço unário. A partir daí outros traços vêm para tentar apagar o traço inicial, mas apenas fazem com que ele apareça mais. Eles tentam dar conta desse primeiro furo formando uma tela protetora, que é a linguagem. Depois tem a transcrição e a tradução. Ele chamou isso de estrutura da fantasia também. Ou estou misturando?

Na hora de uma situação inusitada quem tem elementos pra pensar, cria explicações. Quem não tem cria um sintoma. Outra coisa bem legal/doida que ele disse: O ato analítico faz o sujeito inventar algo para explicar, dando conta do mal estar do ato e assim, mostra a estrutura da fantasia dele. Alguém aí pode vislumbrar a estrutura da minha fantasia?

O psicanalista disse que tudo na vida são as explicações que a gente dá para as coisas. Busca de explicação para o real. Devo usar o Real, tipo Lacan? Sei lá. Interpretações que o sujeito faz da castração que sofreu.

No dia seguinte tive de ir direto para o médico. Diagnóstico do otorrinolaringologista: amigdalite das bravas. E eu não estou conseguindo engolir! Estou sem comer normal há três dias, talvez por isso essa confusão mental (acabei de criar mais uma explicação, rs). Achei essa minha frase ótima, a do não poder engolir. Pense na quantidade de coisas desagradáveis que temos de engolir no dia a dia e não sabemos lidar com elas? É ou não é motivo pra sintoma?

A primeira situação eu adoeci e depois fiquei culpada. Na segunda eu fiquei culpada e depois adoeci. Na primeira não sabia explicar se eu era inocente. Na segunda queria saber o porquê do mal estar depois da reunião, por que da doença (eu estava melhorando, foi uma piora muito repentina).

Logo após o mal estar da reunião senti necessidade de "expiação dos meus pecados". Joguei fora do pc do trabalho as fotos e músicas pessoais e me ofereci para ir entregar documentos longe, num dia de calor, para aproveitar e pegar um livro na biblioteca e assim me redimir com a Literatura. No setor corri e fiz tudo o que tinha pra fazer (infelizmente foi um raro dia cheio). E logo senti febre. Quando a garganta começou a arranhar inventei minha explicação de neurótica: foi o ar condicionado da reunião.

Tudo são só explicações que a gente dá para se acalmar. É estranho pensar nisso. Mas a gente corre atrás da explicação até encher páginas e páginas. E ela nem existe. Ou até encher consultas e consultas. Sempre supondo o tal saber do analista. E se afinal esse foi o sapo que não consegui engolir? Mas não, eu já estava com febre antes de ir para a aula. Mas se eu estou negando é sinal que veio direto do inconsciente. Essa coisa da negativa da outra aula também me pirou. Nada como uma aula provocativa, não é?

Como estou de atestado, não voltei no trabalho e não pude começar o livro que deixei lá. Era um pouco mais de literatura na minha vida... Viu? Estou me lamentando não poder corrigir meus erros.

Desculpa essa falação louca, mas é que a doença me deixou sem poder falar também. E eu nunca escrevi ou consegui conversar com alguém direito sobre esse causo. Muda. A professora me deixou muda. E essa doença agora também. Mas muda entre aspas, posso escrever. E até grunhir. Aliás, depois de horas no hospital, meus pais passaram num restaurante. E eu não podia ver as pessoas comendo porque estava com uma fome louca, sem poder engolir. Fui me distrair numa loja de roupas, sem poder falar também. Pensaram que eu era muda (ou doida?). E eu vi que me trataram diferente. Uma educação exagerada e depois certa indiferença. Deficiência. No outro dia, podendo falar, mas falando com dificuldade, tipo com síndrome de down, me atenderam com certa preocupação numa outra loja. Isso é tema para outro post. Aliás, esse post deveria ser desmembrado em vários. No momento estou melhor, apenas falando tipo fanho, sofrendo para beber um golinho de líquido e sem comer.

 

Vou postar assim mesmo, depois volto aqui e divido tudo em uns 3 ou 4 postagens.

Droga, estou aqui tentando simplificar as coisas e só aparece mais coisa! Não contei como eu adoeci da primeira vez. Acho que tive uma baixa no sistema imunológico por causa da morte do pai de uma amiga de infância. Já estava doente e depois do velório a doença se agravou rapidamente, igual após essa reunião. Eu fiquei muito chocada com minha amiga chorando, não consegui falar nada (de novo). Falar o quê diante da Morte? Lembro que me senti tão culpada por não ter o que dizer pra ela. Apenas a abracei e senti um raio amolecendo minhas pernas. Depois veio o hospital e a professora.

Agora veio o professor e o hospital. Então é isso! Achei uma explicação melhor ainda. Ver a amiga chorando e depois ver a colega chorando. E não poder fazer nada!

Sherlock Holmes tinha razão. Pensamos melhor quando estamos sem comer.

Estou igual criança tentando analisar se minha redação tem princípio, meio e fim! kkk

Mais de meia noite. Vou dormir.

Sei que isso tudo é culpa, mal estar, sapos que a gente engole. Isso aqui está parecendo muito com o livro Angústia do Graciliano.

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Coisas estranhas


Algo me diz que esse blog será mais Confissão e Psicanálise do que Literatura e Psicanálise. Fui numa Jornada de Psicanálise um sábado aí pra trás. Era sobre Literatura e Psicanálise e as pessoas falaram muito de Clarice Lispector e James Joyce, o óbvio. E houve a apresentação de um vídeo com uma entrevista da Clarice. Que pessoa bizarra. Parecia um alemão que tinha aprendido a falar português no interior da Bahia. E a seriedade? Tirando isso, leio minhas anotações e não entendo muita coisa. Muitas idéias desconexas. Espero que isso não tenha nada a ver com minhas emoções...
Tenho que contar um sonho muito louco que tive semana passada. Primeiro os restos diurnos: um cara chato do trabalho havia me dado conselhos sobre relacionamento. Outro havia discutido comigo sobre idéias machistas como "o homem deve pagar a conta". Sonhei que estava num supermercado. Estou olhando materiais de limpeza, encontro uma coisa (eu deveria desenhar depois e colocar aqui, rs) tipo um funil com uma escova de lavar roupa por dentro, na verdade uma coisa achatada com cerdas no final de uma das bordas internas, que serve para se enfiar e tirar o bico do tênis (se eu contar esse sonho pessoalmente pra alguém vou ficar vermelha). Depois estou escolhendo ferramentas. Vejo vários tipos de pincéis, com cerdas retas ou arredondadas e umas pessoas me aconselham: compre para o seu pai. Eu entendi na hora (dentro do sonho) que eu compraria pra mim, mas diria que são para o meu pai. Sabe quando você compra pra sua mãe um batom lindo que você também vai poder usar? Tipo isso.
Vou para o caixa e é aí que aparece o colega chato do trabalho, ele é tipo meu "amante" e vai pagar a conta. E eu pergunto pra ele irritada: A sua mulher sabe que você está aqui comigo? - Ele responde qualquer bobagem e esqueci a continuação.
Será que essa parte do meu pai é tipo: sou adulta, mando na situação, mas vou deixar você pensar que tem o poder? Seria uma saída interessante depois de ter tido tantos pesadelos com ele.

Imagine essa escova ao avesso: as cerdas por dentro da alça.

Um olhar, uma luz ou um par de pérolas...


Descobri porque estava estranhando minhas postagens. É que eu estava escrevendo pela manhã. E nunca é a mesma coisa, como já expliquei em alguma postagem.
Saí para dançar esse fim de semana. E resolvi seguir o conselho do Carlos Eduardo (vide comentários da postagem anterior). Observei à minha volta até encontrar uma vítima. E troquei uns olhares. Mas já havia outra moça investindo nele. Ele parecia estar resistindo a ela... ou fazendo a dança do acasalamento, sei lá.
Então, fui para o centro da pista com meus amigos. Dançando, dançando apareceu um rapaz que passava por perto toda hora, às vezes dançava ao meu lado, mas não parecia interessante e o boné escondia um pouco seu rosto, preferi nem reparar direito para que ele não se apresentasse. Algum tempo depois, repentinamente ele começou a dançar na minha frente, achei isso engraçado, exagerado, meio absurdo e quando olhei para o rosto dele... Um olhar que talvez possa ser descrito como olhar 43, mas era muito mais. Eu apenas ri, não podia olhar pra ele sem rir. E se não bastasse a sagacidade, os olhos ainda eram verdes.
Achei isso hilário. Eu pretendia seduzir e acabei sendo seduzida com apenas um olhar.
Sempre me interessei por coincidências. Sou uma boa neurótica que adora números repetidos, encontros/desencontros, histórias de pura sorte. Uma dessas bobagens que mais me chamaram a atenção na adolescência foi o nome das pessoas. Eu notei que sempre me interessava por algum Thiago e que nunca dava certo. Depois de crescidinha tentei superar o trauma e namorei dois exemplares diferentes desses moços, mas deu errado novamente. É um nome tão comum, esses acasos vão me perseguir a vida toda... É claro que eu gostaria que tivesse um sentido, droga.
Se eu vir esses olhos verdes novamente, vai ser mais um para a coleção.

She's a carioca
(Celso Fonseca/ Tom Jobim)

Ela é carioca, she's a carioca
Just see the way she walks
Nobody else can be what she is to me
I look and what do I see
When I look deep in her eyes

I can see the sea
A forgoten road
The caressing skies

And not only that, I'm in love with her
The most exciting way
It's written on my lips
Where her kisses stay
She smiles and all of a sudden
The world is smiling for me

And you know what else
She's a carioca
Ela é carioca

Ela é carioca, ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na luz dos seus olhos
As noites do rio ao luar
Vejo a mesma luz
Vejo o mesmo céu
Vejo o mesmo mar