quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Single lady

Por mais que eu passe tempo longe do blogue, sempre volto. Esse blogue é o meu lugar de organizar as idéias, de tentar elaborar os problemas. Todo neurótico deveria ter um blogue.
Acho que não consigo ser feliz sem estudar. Pensando nisso vejo que escolher a carreira universitária realmente é o mais certo a se fazer.
Nunca pensei que estaria num momento tão tranqüilo assim na minha vida, ainda mais recém formada. Estou na casa dos meus pais, meu trabalho é super mole e estou ganhando quase cinco vezes mais do que no estágio da faculdade. Acho que são muitas coisas boas, me sinto envergonhada por ter acreditado que eu não estava bem.
Estranho, eu pretendia escrever sobre a felicidade. Agora sinto como se não fizesse mais sentido.
Sabe aquela frase “Quando a realidade parece ficção é hora de fazer documentário”? A minha versão é: quando a sua vida parece ficção é hora de postar no blog.
Estava aqui desnorteada, sem nem saber por onde começar a pensar. Parece que estou sendo (ou fui) traída (é o mais provável), meu namoro acabou (agora tem que acabar) e estou com a cabeça girando. Então, me lembrei de uma cena, nós no meio da discussão, andando numa calçada qualquer (agora me lembro que fiz um trajeto para casa meio absurdo, dei a maior volta, na hora nem reparei) e perguntei a uma mulher: que dia é hoje? Como quem pergunta normalmente: que horas são? E ainda senti uma certa irritação por a mulher fazer cara de estranhamento.
Comecei a rir lembrando a cena. Que coisa mais engraçada e absurda, perguntar a alguém na rua, já de noite, com voz de urgência: que dia é hoje? E ainda falar alto depois com o traíra: hoje é dia 30! É melhor eu nem tentar explicar onde isso se encaixa na briga.
Sinto-me burra e perdida como a heroína de E o vento levou, Scarlet. Não consigo chorar, nem sei se vou conseguir dormir. É como Scarlet dizia: se eu pensar nisso agora vou enlouquecer, amanhã eu penso numa maneira de resolver as coisas.
Estou preocupada, não quero fazer nenhum Desenredo como no conto homônimo do Guimarães Rosa no qual o protagonista é traído e inventa que a mulher é uma santa. Não tenho estômago pra isso.
Este mês começam as Lições Introdutórias de Psicanálise, é a única idéia que me consola. E as compras também, afinal, talvez o que nos resta é apenas o consumismo desenfreado (isso foi redundante?). Não torça o nariz, para quem é ateísta não há nada que um bom banho de loja não cure. “Shoooesssss!”, diria Carrie em Sex and the City.
I'm a single lady, e ainda entrei para a estatística de mulheres traídas. O interessante é que eu não posso provar que ele me traiu e nem ele pode provar que é inocente. Num namoro bem mais ou menos, que durou três anos não posso lhe dar o benefício da dúvida. E eu é que não vou ficar na dúvida a vida toda tipo o Bentinho do Machado.

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