segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Irrepresentável ou Dos homens modernos sem iniciativa

Estou tão feliz! Preciso até sair pra comemorar a chegada da minha coleção standard das Obras Completas de Sigmund Freud! Nunca mais precisarei ligar o laptop para ler a versão digitalizada que usava antes. E comecei o curso de psicanálise. Tenho sempre a sensação de que quando se começa um curso ou grupo de estudos de psicanálise sempre há muitas novidades. Parece que a forma de abordagem de cada professor é única. E os conceitos escolhidos como básicos ou o primeiro ponto de teoria trabalhado é sempre diferente. Ao contrário do que acontece em outras áreas, nunca tenho a sensação de que já estudei aquilo ou de que o assunto está batido.
Psicanálise é difícil ou nunca estudaremos o suficiente? Parece que estou sempre na introdução! E eu já estudo os primeiros temas desde os 13 anos (há mais de 10 anos portanto, rs). Bom, nessa primeira aula estou começando a entender a questão da inscrição do significante, que bordeia o nada, rs. Isso é muito mais louco que estudar a aquisição da linguagem em Linguística I. Parece que tem umas "coisas" e digo coisas no sentido mais bizarro possível, há coisas que não chegam no insconsciente com sentido, chegam como um corpo estranho.
A palestrante usou o exemplo do oleiro. Rs, engraçado, me lembrei que há um bom tempo atrás, no tempo em que fui evangélica "exemplo do oleiro" seria o homem como um vaso para conter deus. Mas esqueça essa imagem, estou falando da formação do aparelho psíquico: o barro subindo formando um vaso e bordeando o vazio: o significante formando representações no inconsciente enquando bordeia o irrepresentável. Parece que quando o bebê está adquirindo a linguagem as coisas se dividem em palavras e não-palavras. Esse foi o olho da primeira aula. É novidade pra mim porque esse bordeamento é do Lacan e ninguém havia me explicado como isso se dava. Estou empolgadíssima.
Hoje é dia trinta de novo. Hoje não perguntarei à um desconhecido que dia é, como fiz no dia da briga. Muitos dias trinta virão. Chorei muito semana passada pensando que provavelmente ele nunca gostou de mim. Agora estou melhor, tudo que eu preciso é não saber mais nada dele.
Quando começo uma postagem sempre me lembro que tinha muitas coisas pra escrever. Mas não quero dar uma de cronista e ficar aqui explorando a questão da dificuldade da escrita.
Tenho uma nova questão que está me preocupando. Sou mulher (mulherzinha, perigosa perua, barbie), quero que os pretendentes interessados se posicionem. Não quero ter que tomar a inciativa. Mas parece que hoje (há três anos atrás era diferente) você tem que correr e escolher o seu, porque senão outra passa e leva, e eles estão nem aí, querem mais é ser escolhidos pela primeira que passar. Por causa disso perdi um moço muito bonito na balada um dia desses. Ele não escolhia com quem iria ficar, daí uma colega perdeu a paciência e pegou ele.
Se minhas postagens estão sem progressão, é porque muitas vezes cada parte do texto foi escrito num dia diferente e quando vou postar nem sempre tenho tempo pra fazer um presponto decente. Como profissional de letras sempre levo comigo a culpa por não ter escrito um texto melhor.

2 comentários:

Carlos Eduardo Leal disse...

Florinha,
A metáfora do oleiro é sempre boa para representar o irrepresentável, mas qual é o siginificante que poderia representar o homem COM iniciativa? Que significante representaria este homem a outro significante? ou a outra mulher? Em torno da borda se costura o vazio e em torno da palavra habita o silêncio. Mas o silêncio não é a falta de iniciativa. O silêncio, muitas vezes, é apenas a palavra que falta à espera de um olhar que seduza...
Abraços,
Carlos Eduardo

Florinha Afável disse...

Acho que entendi... ;-)