segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dança comigo?

Não, não é mais um post sobre filme. É sobre dança de salão. Mudei de professor, agora faço com um casal de professores. E a professora dança com as meninas também, é o máximo. De modo que estou aprendendo os passos do cavalheiro também.

Os métodos dela são diferentes. Ela tem pontos positivos que meu professor de antes não tem e vice versa. Ela sistematiza melhor a aula, treina a cada aula um determinado conjunto de passos em sequência com todos os alunos ao mesmo tempo.

Isso é bom porque é bem didático, já que o aluno automatiza uma sequência complexa de movimentos. Contudo, deixa os alunos viciados e sem noção de como fazer os mesmos passos em outra ordem, inclusive porque ela não treina os movimentos de comunicação entre o casal, de modo que a dama não sabe quando deve reagir de tal forma, só reage porque foi a ordem decorada.

Já com o antigo professor não havia bloco de passos. Havia uma sequência única de passos, dos mais simples aos mais complexos, que cada aluno seguia treinando cada qual conforme sua capacidade de desenvolvimento. Desse modo, ele priorizava os comandos, a dama devia estar preparada para receber um comando diferente a cada momento e reagir conforme o passo pedisse.

Mas assim os alunos ficavam muito desnivelados e os cavalheiros aprendiam poucos passos, porque o professor só dançava com as meninas e suas ajudantes não eram capazes de ensinar passos novos aos meninos.

Outra coisa é que ela prefere treinar muitas variações de passos mais simples e não trabalha marcação específica de cada dança. O professor que tinha nos fazia bater os pés dar um passo a frente jogando o lado direito do quadril e bater o pés novamente antes de dar um passo para trás, no zouk. A profa. só nos faz andar para frente e para trás, não sei porque, talvez ela ache assim mais prático. E ele também não se prendia a passos simples, ia logo passando para passos cada vez mais complexos.

Engraçado é que tinha ouvido dizer que essa profa. era muito exigente em suas aulas. Que nada. Ninguém é mais exigente que meu professor anterior. Se você não fizer o passo certo ele sacode você. E se você continuar sem conseguir ele começa a fazer piadas sarcásticas com a sua cara. Nessa altura você já está tendo uma crise nervosa de riso. Mas então com muito esforço (e sorte) você acaba por conseguir executar o passo novo e ele diz com cinismo: Aleluia!

E sabe que apesar de tudo estou com saudades dele?

Identificação

Está bem, não agüento ficar sem falar nada do Graça. Tomando-se como referência Infância, Insônia e Angústia, nota-se na obra de Graciliano Ramos alguns temas recorrentes, sendo que a maioria deles é chave para a humanidade. Outros nem tanto, talvez só eu mesma me identifique. São eles o incômodo da dúvida, as diversas manifestações da angústia, o sentimento de limitação social/castração, o descontrole, os impulsos inconscientes, a sensação de sufocamento, o sofrimento da espera, a insônia, as lembranças desagradáveis da escola/infância, o palavreado que enjoa, as associações com cobra, a doença, o delírio, o desconserto diante do ato sexual, a carta de recomendação de um político, a idéia de ter sido humilhado, o castigo, idéias subjetivas Diabo/Inferno, a morte, a política, a revolução.
Bom, me parece que em Infância uma parte de Angústia se desenvolve e se fixa como autobiografia. É como se as recordações infantis fossem especialmente desenvolvidas em Infância e a ficção fosse eliminada ao máximo. Já em Insônia pequenos pontos importantes de toda a obra são desenvolvidos cuidadosamente conto a conto, de modo que podemos ver a maior parte dos elementos que compõem Angústia fragmentados como num mosaico que é Insônia.

Sei lá, às vezes parece que não há mais nada a se fazer do que escrever. É em algo assim que GR acreditava. Também acredito.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Filmes e Feminismo

Continuo consumindo mais filmes do que livros. Semana passada li Insônia, do Graciliano. Mas prefiro não comentá-lo porque no mestrado devo focar no Graça, daí não devo gastar minhas idéias aqui.
Se você ainda não assitiu a nova versão de Alice no país das maravilhas, então não perca seu tempo com essa porcaria. Que arrependimento, eu não pretendia ver, assisti por causa da minha irmã. Não tem enrredo, não chega a ser uma possibilidade de versão e nem tão pouco chega a ser outra história de Alice. É fraco mesmo. Acho que nem as crianças vão gostar. Como diria o clichê, Lewis Carroll deve ter se revirado no túmulo. Todo mundo já criticou, mas eu quis contribuir.
Vamos aos filmes legais que assisti esses tempos. Amor sem escalas é ótimo, surpreendente, como comédia romântica é claro. Mais fino eu assisti O garoto, de Charles Chaplin, sublime.
Mas o que realmente me arrebatou foi Sex and the City 2! Que cenários! Que figurinos! E com os temas mais importantes na vida das mulheres contemporâneas!
Vi críticas masculinas negativas. Mas é como naquela música da Vanessa da Mata "os homens odeiam, as mulheres adoram". O enrredo é forte sim. Feminista, seja na América, seja no Oriente Médio, mostra como os homens sempre tentam reprimir a voz da mulher. E é irreverente como sempre foi a série. Mostra homens bonitos como pouca roupa (pra variar né, as mulheres estão fartas desses filmes machistas que só têm mulheres peladas, aff). Esse filme é um alívio, é uma benção. Realmente, como os homens poderiam gostar se tem até um casamento gay nas primeiras cenas?
É um filme maravilhoso que faz jus a toda a série e conseguiu ser melhor que o primeiro filme. Quando você sai do cinema tem a sensação de que teve um orgasmo múltiplo de 2 horas e meia de duração. É a forma mais eloquente de descrever o clima. Recarregou minhas baterias, me sinto cheia de energia pra tudo. É uma experiência tão pessoal e mística, rs.
Depois que eu rever o filme umas três vezes eu vou escrever uma crítica detalhada e com mais conteúdo. Agora quero só delirar mesmo.