sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sobre homens e personagens

Tenham paciência porque Sherlock Holmes ainda vai render um pouco mais. Tive um insight agora lendo uma crítica velha do filme. Ela dava ênfase à diferença das versões antigonas. E pensei que o que me marcou mais foi a beleza dessa versão, mas que afinal sempre desejei que ele fosse bonito. Aliás, os dois, porque a referida crítica mostrava um Watson gordo, por exemplo. O meu nunca foi gordo. Bom, perdi o interesse por esses filmes antigos.

Mas o insight foi a respeito da seriedade do Holmes. Nesse filme ele está quase um palhacinho. Também sempre quis que ele fosse menos fechado, menos sóbrio. E isso me levou direto aos meus “homens reservados”. Não posso deixar de pensar o quanto personagens como este detetive contribuíram para a construção do meu imaginário. Até que ponto teria a literatura moldado minhas preferências amorosas? Porque é impossível ignorar a semelhança entre meus objetos de desejo e esses personagens. Outro exemplo é o Batman, meu favorito, cavaleiro das trevas, hábitos noturnos, discrição, reserva. Certamente o fio do imaginário do homem reservado começa por aí.

Eu contei sobre a fórmula do homem reservado, dei exemplos, mas não disse como ocorreu a idéia. Foi por causa de um tipo que conheci recentemente. Não parecia ter nada de especial, mas me surpreendi à noite tendo pensamentos libidinosos a seu respeito. No dia seguinte ao analisar o ocorrido cheguei ao homem reservado.

Mas só estou contando isso porque obtive mais informações sobre o sujeito, vou chamá-lo de Sr. R. Antes sabia que ele tinha um filho adolescente e, portanto, acreditava que ele era casado e teria mais de quarenta anos. Agora sei que tem 38, é divorciado e possui um gênio terrível. Parece adorável, não? rs. As más línguas debocham dele dizendo que seu mau humor é devido à ausência de atividade sexual. Preciso explicitar que seria um prazer ajudá-lo? Quando ele passa por mim nos corredores e diz meu nome fico levemente desequilibrada como se acabasse de executar um di-le que non da salsa ou um bailado do bolero. O que poderia ser melhor que um homem reservado? Um homem complicado é claro, um subtipo do reservado.

Isso me deu vontade de ouvir umas músicas latinas... Ele está disponível. É difícil, reservado, complicado, genioso. Tocante. Me sinto como se estivesse diante de um animal selvagem e com a licença para caçar no bolso. Segundo A Casa dos Budas Ditosos do João Ubaldo Ribeiro não há ninguém que não possa ser seduzido. Mas é preciso saber como. A narradora-personagem quebra todos os tabus da nossa sociedade. É de tirar o fôlego. Eu por exemplo não soube desarmar o Sr. G. Também, perto dele eu virava uma adolescente tímida, ficava congelada. Como eu gostaria de ser uma versão feminina de Alfie o Sedutor. Sou careta, nunca trairia um relacionamento sério. Mas ele nem tinha relacionamentos sérios.

Não dá para acreditar. Sabe que às vezes pego o Sr. R cantando Roupa Nova? Tem algo mais romântico? Agora, a dúvida é: ele canta porque é fofo e gosta ou porque é fofo e quer me impressionar? Não sei qual das alternativas mais me agrada. Nossa, ele é tão cabeça. Apesar das reclamações que escuto sobre ele estou gostando do seu jeitão cada vez mais.

Bem Simples
Artista: Roupa Nova


Tudo bem simples
Tudo natural
Um amor moreno
Fruto tropical

Todas as cores
Que eu puder te dar
Toda a fantasia
Que eu puder sonhar

Eu pensei te dizer
Tantas coisas
Mas pra que
Se eu tenho a música (música)

Bom é bem simples
Sem nos complicar
E bastante tempo
Pra te amar...


Agora pergunta-se e F seu namorado? F é muito novo, é apenas um ano mais velho que eu e não sei se posso imaginar um futuro muito distante com ele. Certas opiniões dele me indicam que ele não é a pessoa tão certa assim.

É bom querer algo que não se pode ter, não é? Que o diga Lacan.

Com o tempo minhas postagens estão ficando cada vez mais difíceis de amarrar. Estão tomando um rumo de associação livre.

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