sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sherlock Holmes

Comecei a trabalhar. Não vou falar disso, porque seria muito chato. Além disso o ambiente aqui não é nada estimulante. Nesse momento de transição, não li nada ficcional. Aliás, coisa estranha. Eu queria tanto acabar a monografia para poder ler uns livros irresistíveis que vi por aí, e depois que acabei não li quase nada. Não rendeu. Também perdi o acesso à biblioteca da facu. A da minha cidade é até boa, mas fica um pouco fora de mão. E parece que fiquei viciada em artigos. Sinto às vezes uma necessidade de ler uma crítica ou um trabalho acadêmico qualquer. É como aquela musiquita linda de Pato Fu: “... a gente se acostuma com tudo, a tudo a gente se habitua...”, que passo a dar play agora. Quero mais literatura na veia, não posso me deixar levar pela correria da minha nova rotina. O que fazer? Já tive um incentivo esses dias. Assisti o novo filme Sherlock Holmes. Para mim é como um dejà vu. Esse detetive foi a minha primeira paixão literária, aos 12 anos mais ou menos. Acho que foi como tudo começou. Será o indício de um novo começo? Elementar meu caro Watson....rs. Olha, eu evitei as disciplinas sobre cinema da facu, eram técnicas demais. Mas me arrisco a falar em tom pessoal sobre esse filme. Bom, dizem que as histórias do nosso caro Holmes já inspiraram muitas películas. Então, posso deduzir que Sherlock Holmes conversa com toda essa gama de representações. Daí talvez provenha um certa ausência de identificação dos atores com os personagens. Não lembro detalhes de livros de 12 anos atrás, mas fica um imaginário. Direito de interpretação que cada leitor (e consequentemente cada diretor) tem de imaginar como quiser? Sim, estou levando isso em conta. Mas até pelo filme ser uma aventura que não consta dos escritos de Conan Doyle, sinto um certo descompromisso e liberdade de modificar a imagem dos protagonistas. E somando-se a necessidade de se fazer algo diferente do que já foi filmado à chamada “morte do autor” de Barthes, que nos permite abrir o leque de interpretações, temos nesse novo filme um Sherlock bonitão, engraçado e um Watson também bonitão e bem mais esperto do que o leitor poderia se lembrar. E acho que exploraram pouco a capacitadade de dedução do Holmes, que pra mim é o que mais impressiona.

E quanto à locação, cenário, figurino foi tudo bem “esclarecedor”. Sou mineira, daí imaginava as aventuras numa Mariana, numa Ouro Preto ou Diamantina da vida, com aqueles casarões históricos e as carruagens circulando. Aliás, lembro de uma tradução que usava o termo cabriolé, rs. Mas não, não conseguia imaginar uma Londres antiga assim, toda enlameada, rs. É claro que eu adorei, . O meu Sherlock era ótimo, admirável. Mas não era atraente assim. As leitoras agradecem. E fiquei instigada a correr atrás dos filmes antigos que devem satisfazer melhor meu lado leitora cão de guarda.

2 comentários:

dade amorim disse...

Puxa, Florinha, como gostei de seu blog! O comentário sobre o do filme está perfeito, e tudo que ando procurando agora é gente que goste de literatura e adjacências.

Beijo e obrigada pela presença, viu?

Deliane Leite disse...

Acho que o "nosso" Sherlock seria mais brejeiro, mas com um toque inglês...rs!
Adorei artigo...
Visite meu blog... Abraço!

http://geografiadodesejo.blogspot.com/