segunda-feira, 26 de abril de 2010

Homens reservados

Acabo de conseguir identificar um padrão de homens que me atraem. É aquele tipo sério, na dele, mas conversa com as pessoas se tiver oportunidade, e até brinca. É o reservado, que mesmo que esteja interessado em você não demonstra, por um motivo qualquer. Meu namorado, por exemplo, não deu nenhum sinal de que poderia estar interessado em mim, apenas porque nosso amigo disse que eu estava enrolada.


Poderia dizer que é o tipo homem difícil. O rapaz com o agasalho amarelo, também é assim. Olhei em sua direção boa parte da noite e ele só abaixava o olhar. Até que o tirei pra dançar. Então, ao contrário dos parceiros de dança de salão comuns tentou me beijar no final. Dançava mal..., e seu corpo era tão semelhante ao do meu namorado que senti vontade chorar. Porque F. não estava ali comigo?

Pois é, homens difíceis, reservados, misteriosos, sérios, tímidos me atraem. Não podemos esquecer o maior exemplo de todos, o Sr. G, que com sua reserva quase absoluta, seu pouco senso de humor tipicamente europeu, somados à sua timidez me pareceu irresistível.

Esses homens dão oportunidade às mulheres de ocuparem outro papel, diferente da gazela caçada. Diante deles podemos dominar, agir, tomar iniciativas, enfim, recusar a passividade que se espera do feminino. Ou seja, com esse tipo podemos ser como homens. O desafio que se nos impõe esses seres distantes é muito excitante. Repentinamente me vejo como uma louca cheia de fantasias de dominação. E isso tudo se resume em poder. Preciso ler mais Michel Foucault.

O primeiro que beijei era caladão, tímido, misterioso e dizia que são as mulheres que escolhem. Daí eu dava indiretas de que gostava dele e ele nada... Esse é o problema desses tipos. Ou você segura o rosto dele e beija ou nada vai acontecer. Alguns modelos mais modernos funcionam por comando de voz: “me beija”. Outros precisam de algum amigo que o oriente e dê coragem.

Após fisgar sua presa você se depara com um namorado tímido, bobo, inocente, caipira, caseiro, morno, dependente ou ciumento. Porque é isso que existe atrás da fachada do homem reservado. Ele não é reservado à toa. E você que é dominadora, uma verdadeira viúva negra, uma fêmea de gafanhoto devoradora de cabeças, cai numa terrível armadilha. Porque apesar de tudo você tem coração, se apega. E agora não pode mais voltar atrás, tem que ser responsável por aquele que cativou. Os campos de trigo sempre lhe lembrarão os cachinhos dourados dele e pior, vão lhe fazer chorar, assim como quando você dançar com um rapaz que tenha o corpo parecido com o dele.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Coco antes de Chanel

Jornal Hoje em Dia, caderno de Cultura, coluna Cinemas. Um lançamento: Coco antes de Chanel, descrição: Garota começa a desenhar chapéus que se tornam cada vez mais populares, e revoluciona a moda ao se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época. Estranho, vi o filme, e confesso que se tratando da história de uma estilista esperava a descrição de toda a trajetória profissional até a morte. Imaginava dificuldades, reviravoltas, suspense, situações inusitadas. Contudo, o filme só aborda o que seu nome propõe: Coco antes de Chanel. Não ficamos sabendo da evolução provavelmente vertiginosa de seu sucesso profissional. O enredo conta apenas sua vida sentimental, e a propósito estou ouvindo Only you, Elvis Presley, a pedido de uma colega com dor de cotovelo. Em resumo, Gabielle Bonheur Chanel cresce num orfanato, torna-se uma jovem desconfiada do amor, apaixona-se e seu amado morre após pouco tempo de relacionamento. Amargurada, Coco torna-se uma workaholic de muito sucesso, fim. Não gostei. Só na cena final é que temos um desfile com algumas de suas criações. Pensei que seria um almanaque da moda. Uma pequena história do vestuário feminino. Definitivamente, eu não queria saber como era Coco antes de Chanel.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um dia feliz às vezes é muito raro...

Dicas para ter um bom dia: Não converse com pessoas que falam demais. Não comece a ver um filme que você não recebeu indicação. Não ligue para a pessoa amada apenas para saber o que ele(a) está fazendo. Não leia blogs com postagens extensas e pretensiosas. Não abra e-mails daquele seu amigo careta.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sherlock Holmes

Comecei a trabalhar. Não vou falar disso, porque seria muito chato. Além disso o ambiente aqui não é nada estimulante. Nesse momento de transição, não li nada ficcional. Aliás, coisa estranha. Eu queria tanto acabar a monografia para poder ler uns livros irresistíveis que vi por aí, e depois que acabei não li quase nada. Não rendeu. Também perdi o acesso à biblioteca da facu. A da minha cidade é até boa, mas fica um pouco fora de mão. E parece que fiquei viciada em artigos. Sinto às vezes uma necessidade de ler uma crítica ou um trabalho acadêmico qualquer. É como aquela musiquita linda de Pato Fu: “... a gente se acostuma com tudo, a tudo a gente se habitua...”, que passo a dar play agora. Quero mais literatura na veia, não posso me deixar levar pela correria da minha nova rotina. O que fazer? Já tive um incentivo esses dias. Assisti o novo filme Sherlock Holmes. Para mim é como um dejà vu. Esse detetive foi a minha primeira paixão literária, aos 12 anos mais ou menos. Acho que foi como tudo começou. Será o indício de um novo começo? Elementar meu caro Watson....rs. Olha, eu evitei as disciplinas sobre cinema da facu, eram técnicas demais. Mas me arrisco a falar em tom pessoal sobre esse filme. Bom, dizem que as histórias do nosso caro Holmes já inspiraram muitas películas. Então, posso deduzir que Sherlock Holmes conversa com toda essa gama de representações. Daí talvez provenha um certa ausência de identificação dos atores com os personagens. Não lembro detalhes de livros de 12 anos atrás, mas fica um imaginário. Direito de interpretação que cada leitor (e consequentemente cada diretor) tem de imaginar como quiser? Sim, estou levando isso em conta. Mas até pelo filme ser uma aventura que não consta dos escritos de Conan Doyle, sinto um certo descompromisso e liberdade de modificar a imagem dos protagonistas. E somando-se a necessidade de se fazer algo diferente do que já foi filmado à chamada “morte do autor” de Barthes, que nos permite abrir o leque de interpretações, temos nesse novo filme um Sherlock bonitão, engraçado e um Watson também bonitão e bem mais esperto do que o leitor poderia se lembrar. E acho que exploraram pouco a capacitadade de dedução do Holmes, que pra mim é o que mais impressiona.

E quanto à locação, cenário, figurino foi tudo bem “esclarecedor”. Sou mineira, daí imaginava as aventuras numa Mariana, numa Ouro Preto ou Diamantina da vida, com aqueles casarões históricos e as carruagens circulando. Aliás, lembro de uma tradução que usava o termo cabriolé, rs. Mas não, não conseguia imaginar uma Londres antiga assim, toda enlameada, rs. É claro que eu adorei, . O meu Sherlock era ótimo, admirável. Mas não era atraente assim. As leitoras agradecem. E fiquei instigada a correr atrás dos filmes antigos que devem satisfazer melhor meu lado leitora cão de guarda.