domingo, 7 de março de 2010

O mundo é podre

Hoje estive pensando sobre uma das frases mais simples e mais verdadeiras "O mundo é podre". Ano passado eu costumava zuar dizendo que essa seria a epígrafe de minha monografia. É que estive lendo uma reportagem da Revista Época (dez/09). Essa revista é apenas uma revista de fofocas e curiosidades, o diferencial dela é que se restringe ao mundinho da Globo. Só uma reportagem me pareceu relevante, a respeito do favoritismo no processo de seleção das universidades públicas do país. Fiquei assustada porque percebi o que as pessoas queriam me dizer com: faça o mestrado logo após a graduação, aproveite que você ainda tem contatos. O "Quem Indica" parece ser o fator fundamental para passar na seleção. Fiquei preocupada triplamente. Primeiro por imaginar que as pessoas passam porque já fizeram iniciação científica com algum professor da pós e para as que não conhecem ninguém é quase impossível entrar. Segundo porque não sei se os professores que podem me dar a famosa carta de recomendação poderão me ajudar nessa disputa. E terceiro porque o Sr. G pode ter pensando que quando insinuei meu interesse por ele tinha terceiras intenções ou fui interesseira. E é justamente o contrário. Uma das coisas que mais me animam a fazer mestrado é poder revê-lo. É terrível pensar que ele possa confundir meu interesse sincero pela pessoa dele com uma busca de favores. Mas o mundo é movido por politicagem! Pode parecer ingenuidade minha, mas isso me revolta. E tive outro exemplo mais baba ainda nessa semana. Estava lendo um artigo sobre a História da Literatura Brasileira. Chama-se "O Livro que saiu do cânone" de Sônia Maria van Dijck Lima publicado na Revista Anpoll 13. Nesse artigo ela conta que o primeiro livro do Guimarães Rosa, "Sagarana", ainda inédito, disputou um prêmio literário em 1938 e perdeu para "Maria Perigosa" de um tal de Luís Jardim. Depois em 1946 Rosa publica seu livro um pouco modificado e se torna um sucesso e o Luís Jardim cai no esquecimento. Acontece é que o Rosa foi trabalhar num alto posto da administração pública, como esclarece Sônia Lima, citando um jornal carioca da época. Ou seja, não basta ser bom. E os dois são bons. Mas é preciso ter QI, costas quentes, influência, contatos, existem vários nomes pra essa injustiça. Essa é a diferença essencial entre eles, afinal, Rosa ou Jardim dá na mesma, não é? Na verdade a temática de ambos é muito semelhante. E um dos componentes da banca desse concurso foi o Graciliano Ramos. E ele votou no Luís Jardim. Isso é sinal de que deve valer a pena garimpar um exemplar de "Maria Perigosa". Confio muito no gosto do Graça.

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