sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lolita

Meu primeiro livro dessas férias foi Lolita. Confesso que procurava um romance entre um professor mais velho e uma jovem aluna terrível. Mas não foi isso que consegui. Esse livro é a confissão de um pedófilo, pura e cruel. Fiquei bem decepcionada no início. Lolita não merecia minha identificação, tinha apenas 12 anos! As versões do cinema apresentam uma Lolita bem mais grandinha... Mas havia algo mais, não consegui parar a leitura, apesar de o protagonista afirmar que seu interesse sexual era pelas meninas esguias, retas, ainda sem forma de mulher, enfim, crianças. Segundo o narrador, Humbert Humbert, nem todas as meninas tem potencial para ser uma ninfeta, as gordinhas de tranças e/ou as precocemente dotadas de seios e quadris marcantes são consideradas broxantes.
O fato é que o livro me laçou e tive que chegar até o fim. Até mesmo aos comentários do autor. O ousado Vladimir Nabokov conta sobre as censuras sofridas e as interpretações dos críticos. Um deles palpitou que a obra representa o relacionamento do autor com a literatura. Mas Nabokov dá sua versão de que seria seu relacionamento com o Inglês: “Minha tragédia pessoal - que não pode e, na verdade, não deve interessar a ninguém – é que tive de abandonar meu idioma natural, minha rica, fluida e infinitamente dócil língua russa em troca de um inglês de segunda categoria, desprovido de todos os acessórios – o espelho de truques, o pano de fundo de veludo preto, as tradições e associações implícitas – de que o ilusionista local, com as abas do fraque a voar, pode valer-se magicamente a fim de transcender tudo o que lhe chega como herança” (NABOKOV, Vladimir. Sobre um livro intitulado “Lolita”, 12/11/1956, in Lolita, São Paulo: Companhia das Letras, 1994). Lamento muito por ele.

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