quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A vida é curta

A vida é curta. Por que deveríamos investir em coisas, pessoas, situações, empregos que não valem a pena agora? Se não valem a pena agora depois vão valer? As coisas não vão melhorar. Ou vão. Mas vamos pagar para ver?

Estou doente. Estive doente em setembro, estive semana passada e ontem tive uma recaída. Provavelmente não vou poder apreciar nenhuma bebida alcoólica nessas festas de fim de ano.

Perguntei a ele: E nós? Ele me deu uma resposta bem longa, me explicou tudo o que pensava. Disse que não quer que o relacionamento assuma uma forma que possa nos limitar. Concordei que é realmente ruim passar o sábado juntos só porque adotamos o rótulo de namorados. Mas ele também disse que há dias em que simplesmente quer ficar sozinho. Que não está saindo com mais ninguém (fiquei calada sobre isso...). Que está tentando se equilibrar, ficar bem consigo mesmo. Razoável.

E depois jogou para mim: E você? – Eu gosto de você – respondi – simples assim.

E ainda questionou que eu tenho uma "vida social intensa" e que eu falei de relacionamento aberto duas vezes. Meu último relacionamento acabou por causa de traição. Se as pessoas têm tanta dificuldade em se manter fiéis por que fazem esses votos? Por que não ter um relacionamento mais flexível? Não quero que ninguém me prometa o que não pode cumprir. Eu levo essas coisas muito a sério.

Mas a vida é curta demais para que eu fique esperando que ele queira passar mais tempo comigo. Ele é um idiota. Quando nos conhecemos ele queria que a gente se visse todos os dias e me ligava todo dia. Isso me incomodava, porque mal o conhecia. Agora que já temos um tempinho e estou gostando dele, liga duas vezes por semana e a gente se vê uma ou duas vezes. Isso é idiotice. Uma vingancinha ridícula.

É verdade que ele está mais carinhoso. Mas sei lá, não quero ficar sempre esperando quando ele vai querer me ver.

Vi um filme triste e lindo. Aliás, dois. O primeiro se chama "Mammoth" não sei por que recebeu o nome de "Corações em conflito". Se fosse de língua portuguesa chamaria Saudade. Uma médica americana passa por momentos difíceis em que percebe que sua vida se resume ao trabalho e nunca está com a filha. Ela se apega a um menino que chega ao hospital esfaqueado pela própria mãe. A filha dela parece gostar mais da babá, que é quem está presente todo o tempo. A babá está em situação idêntica, pois é estrangeira e trabalha para dar uma vida melhor aos filhos que deixou em seu país de origem. É muita saudade. Há também o marido da americana que faz viagens a trabalho e se sente só. Numa viagem ele conhece uma prostituta, que também está longe de seu bebezinho.

A vida é curta. As pessoas passam muito tempo longe de quem elas gostam. Vale a pena viver assim?

O outro filme é "O solteirão". Após ter alta de um hospital psiquiátrico um quarentão esquisito vai passar uns dias na casa do irmão e conhece a assistente dele. Eles se gostam logo de início, mas são tão estranhos, complexos, bizarros que só conseguem brigar e ter situações desconcertantes. Aos poucos eles percebem que se gostam até que ele se declara.

A vida é curta e as pessoas demoram a reconhecer de quem elas gostam.

Se você sabe de quem você gosta, não perca tempo, vá ficar com ela.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

L'amour

Meu pequeno príncipe fica melhor comigo quando não fica sabendo que vou fazer alguma coisa sem ele. Ele é muito vingativo. Terei que mentir quando for sair, algo tipo: que sono, vou dormir mais cedo hoje.
Hoje é um desses raros momentos em que escrevo sem estar desesperada, confusa ou dominada por alguma idéia ou sentimento. Estou é com tempo. Porque viajei sem ele, coisa imperdoável. Ele não me diz nada nessas ocasiões. Apenas recusa a minha companhia na próxima oportunidade.
Queria tanto beijá-lo. O beijo dele é tão bom. Diferente e bom. Na última vez que nos vimos ele me beijou tão pouco e falou tanto. Ele gosta de falar de suas convicções, do budismo, do hinduísmo, do comportamento das pessoas. Às vezes enche o saco. Mas é lindo vê-lo sorrir, contar casos exaltado, imitar as pessoas. Fiquei chocada quando li no O mundo como vontade e representação, uma citação da mesma obra que ele estava comentando comigo. Duas linhas de pensamento tão diferentes! Pelo menos eu achava que era...
Sábado tive a nítida sensação de que estava apaixonada por ele.

Pára tudo. Lembrei agora de um sonho que tive esses dias. Não pude contá-lo para absolutamente ninguém. Talvez não poderia contar nem pro analista, rs. Estou acompanhada de algumas colegas, umas três moças. Subimos algumas escadas juntas. Acho que a escada sempre pode simbolizar a excitação. É grosseiro isso, mas é tão comum. É verdadeiramente tosco, mas é como se funcionasse a mesma coisa, o mesmo símbolo, como Freud pensou na Interpretação dos Sonhos.
Pois bem, até aí está tranquilo. Num outro momento estou dançando zouk, que é como uma lambada lenta, como disse meu chefe, lento para se aproveitar bem. Mas no sonho estou dançando com uma mulher. Na verdade vejo a cena de fora. Vejo duas mulheres dançando zouk e acho que sou uma delas. E há um passo chamado cambré, onde a mulher joga todo o dorso para trás enquanto o homem a segura pelas mãos. A cabeça fica jogada para trás, o cabelo pode mesmo tocar o chão. Não, não vou contar tudo, imaginem a continuação. Vou dar uma de Kafka hoje.

Mas me aconteceu uma coisa engraçada nesse feriado. Estava de olho num colega de dança, não sei se comentei esse causo, mas ele parecia que estava "dando para trás" depois que eu me encontrei solteira novamente. Pois ontem ele se aproximou de mim novamente. E fiquei impressionada com a timidez dele. Entendi tudo. Ele não estava fazendo hora com a minha cara. É pura timidez mesmo. Mas uma timidez exagerada que me deixou constrangida. Ele é um ano mais novo que eu, acho. Ele me fez sentir como se tivéssemos 12 anos e fosse o primeiro beijo de nossas vidas.
Agora pense. Lembre de sua infância, adolescência, juventude, sei lá, quando você beijou pela primeira vez.
Lembre da sensação de estranhamento, desconforto, angústia, insegurança. Imagino que sentiu pelo menos um desses sentimentos. É difícil lembrar, não é? Mas imagine que uma situação lhe transporte totalmente de volta para esse tipo de situação. Como se você estivesse dentro desses pesadelos onde se tenta correr e o máximo que se consegue é rastejar, humilhantemente.
Vou deixar ele prosseguir no tempo dele. Não é possível ficar à vontade pelas pessoas. Só posso tentar conversar, sorrir, demonstrar que não há nada demais, que não há o que temer. Como gostaria de poder ajudá-lo; ele dança com tanta desenvoltura. Mas até que ele conseguiu me beijar, umas três vezes, rs. E segurar minha mão ou me abraçar pelos ombros quase todo o tempo.
O pior é que não aconteceu como eu fantasiava. Nunca acontece, não é? Imaginei que nosso primeiro beijo seria numa pista de dança, dançando bolero. Não com música de bolero mesmo, mas essas românticas internacionais que tem marcação parecida. E no momento final da música, ele faria o tradicional passo do beijo, mas ao contrário do usual, não iríamos olhar em direções opostas, ele me beijaria devagar, um beijo delicado, levemente úmido e progressivamente apertado e continuaria a me segurar enclinada todo o tempo, ignorando totalmente a próxima música e as pessoas no salão.
Foi com essas distrações que cheguei a conclusão que não estou tão apaixonada assim pelo cara de 33 anos, meu pequeno iluminado, rs.

domingo, 7 de novembro de 2010

0 x 0

Ele me provou, a mais b, que é o amante perfeito. E eu não consegui relaxar.
Estou para começar a quarta parte de O mundo como vontade e representação. E não sei o que quero da vida.
Quero conhecer algo, um livro, um autor, uma teoria, um trabalho, uma causa, um homem ou uma mulher, que me arrebate!
Gostei de um filme que vi hoje do Woody Allen: Vichy, Cristina, Barcelona. Mostra uma situação, onde um casal só consegue equilibrar o relacionamento na presença de uma terceira pessoa. Pessoas de mente livre, que não se prendem à padrões. Gosto disso. Mas acabo sempre conhecendo pessoas quadradas.
Cada vez mais entendo porque as pessoas me definem como "alternativa".
Hoje é o grande dia. Vou participar de um espetáculo de dança de salão. Acho que será muito divertido.
O show tem que continuar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fudeu Vani


Cara, fudeu. Eu estou tão confusa que nem sei se vou conseguir escrever um texto. Só sei que preciso. Senão, vou enlouquecer.
É tudo por causa do tal cara mais velho. Percebo que nossas personalidades são parecidas demais. Em poucas palavras: ele é um menino mimado. E eu também .
Ele tem suas opiniões, não abre mão delas e acha que elas são as melhores. E eu também. Ele quer que as coisas sejam do jeito dele. Eu também. Ele quer que o sexo seja bom pra ele. E eu que seja bom pra mim. Mas ele também quer que o sexo seja bom pra mim. E eu pra ele. Mas ele não quer fazer as coisas como seria bom pra mim. E nem eu pra ele.
Somos muito parecidos. Ele não acredita. Também não acreditaria nele. Não sou do tipo que cede. Nem ele.
Estamos fodidos! Estamos fodidos? É isso que eu preciso saber. Não tinha nem conseguido descobrir se gosto dele mesmo e já tive esse drama.
O que me preocupa é que já passei por esse tipo de situação. E não terminou bem. Eu luto por esse tipo de cara até um certo ponto. Mas logo deixo de gostar dele. Não suporto essa pressão. E vejo que esse tipo de cara não suporta pressão alguma.
A minha grande verdade é que ele não consegue lidar com o fato de que é ruim de cama. Como a maioria dos homens. E eu sou uma idiota de ter feito ele ao menos pensar nessa hipótese. Fudi com tudo. Eu esqueci que esse tipo de pessoa é especialmente sensível, irritável e melindrosa. Provavelmente a auto estima dele foi pro saco. E daí sobrou pra mim. E foi a vez dele fuder com minha estabilidade emocional.
E fiquei ainda mais insegura com o sexo. Acho que a grande lição que tenho que aprender sobre o sexo e o amor, é que fingir prazer pode evitar um desprazer muito maior depois. Ah se seu soubesse! Se eu soubesse!
Caraca! Mas eu nem cheguei a comentar com ele o fato de que na vez anterior, tão louvada por ele, eu nem gozei! Foi bom, mas não gozei. E ele parece que nem se preocupou em saber. Não é à toa que a ex dele não gostava de sexo!
E cara, ele tem é razão. Acho que simplesmente não dá mesmo. Não há muito o que fazer. Ele não está disposto a aprender nada sobre as mulheres, nem sobre mim. É machista demais.
Forcei a barra demais. Deixei claro que não estava excitada. Foi demais pra ele. Ele é tão inocente. Tão bobo. Acha que é só ir tirando a roupa rápido e rumando para a penetração. Mas me sinto culpada. Ele é só um menino (mais velho que eu 8 anos), mas é um menino mimado. E eu deveria ter tido mais consideração. Pegado leve. Esperado, dado um tempo pra ele. Assim como ele não quis me dar um tempo, pegado leve, esperado a minha excitação aparecer com umas boas preliminares.
Mas você sabe por que ele acredita que é bom de cama? Porque todas as outras deixaram que fosse assim. Elas silenciaram. Elas preferiram, por ignorância ou lei do menor esforço, deixá-lo acreditar que era só aquilo mesmo e que não tinha nada demais.
E como eu não me calei, a casa caiu. Eu não devo mesmo ter a ilusão de que algum dia o sexo vai ser uma coisa tranqüila na minha vida. Os homens são todos iguais. E ai de quem diga que eles não sabem fazer sexo.
Tenho uma escolha: finjo que está bom e ganho a confiança deles, ou quebro o pau e faço eles saírem correndo.
Eu? Voltar pro analista e contar como foram ruins as minhas experiências? Nada disso. Ele que vá lá. Eu sei o que eu quero. E sei gozar sozinha também.
Sei que ele está pensando a mesma coisa. É isso que me deixa perturbada.
Ele me enganou. Na primeira vez, fez um monte de preliminares deliciosas. Me deixou doida e tals. Da segunda, disse que me esperaria o quanto fosse preciso, vez alguma coisa e ainda foi bom. Dessa terceira vez ele queria que fosse instantâneo. Estilo uma rapidinha. E ainda disse que ficou impaciente. Eu não mereço isso.
E se ele acha que eu não mereço um desempenho melhor é muito justo que pare por aí mesmo. Ele tem toda razão em sentir que não pode corresponder minha expectativa. Porque ele não pode mesmo. O que dói é saber que o que ele disse, no fundo é verdade. Ele não é bom o suficiente. E nós dois sabemos disso. É a única coisa sobre a qual concordamos.
Tanta coisa ruim. E eu nem vou comentar a vitória da Dilma. Fudeu!

sábado, 16 de outubro de 2010

Sexo e Angústia

Estou contente. Recebi um bom conselho: voltar a ler tudo sobre angústia, para me inspirar para o mestrado. E comecei a planejar minha bibliografia básica. Quero montar até um cronograma. O primeiro título já foi escolhido: O mundo como vontade e representação de Arthur Schopenhauer. Talvez o buraco seja mais embaixo. Para quê me prender à Freud ou à Teoria da Literatura se há tantos pensadores dando sopa por aí. Ampliarei aos poucos meu horizonte.

Enquanto isso, o fantasma do sexo ronda novamente. O maldito analista disse: você não pode mentir para si mesma. Mas ainda acho que viver é a única saída. O que adiantaria relatar todos aqueles momentos de angústia? De imediato nada. E ia demorar um bom tempo até haver transferência. Poderia fazer outro blog com o título: Sexo e Angústia.

Gosto como o sexo é tratado em Angústia do Graciliano Ramos. Primeiramente, o protagonista afirma que o amor/sexo sempre foram motivo de dor em sua vida. Ele vive situações onde ou não consegue satisfazer seu desejo, ou não há nem condições para o surgimento do desejo.

No início de sua vida sexual ele tenta sair com uma moça fria que só queria que ele pagasse o cinema pra ela. A moça deixa que ele faça o que quiser com suas pernas, desde que ela possa ver o filme. Algumas vezes saiu com uma prostituta que era até bacana. Algum episódio razoável todo mundo tem de ter. Tem uma outra prostituta velha que ele vai no quartinho dela à toa, quase que pra ajudá-la, só pra conversar mesmo. É tão, (so, so, so) deprimente. Ele fala da magreza e debilidade da mulher. Da pobreza e sujeira do ambiente. É a coisa mais broxante do mundo. Nossa, às vezes tudo é tão broxante, não é?

Em contrapartida, são tão quentes as cenas nas quais Luís dá uns amassos na mocinha da história! O Graça foi tão feliz na evolução da cena e na descrição do tesão. Adoro essa parte abaixo, eles eram apenas amigos, não havia rolado nada, estavam conversando sobre um emprego que Luís arrumaria para Marina:

"- Obrigada, Luís.

E estirou a mão. Levantei-me, tomei-lhe os dedos. O contato da pele quente deu-me tremuras, acendeu os desejos brutais que tinham esmorecido. Olhando-a de cima para baixo, via-lhe os seios, que subiam e desciam, as coxas, a curva dos quadris. Veio-me a tentação de rasgar-lhe a saia. E repetia como um demente:

- É porque lhe quero muito bem, Marina.

Apertei-lhe a mão, mordi-a, mordi o pulso e o braço. Marina, pálida, só fazia perguntar:

- Que é isso, Luís? Que doidice é essa?

Mas não se afastava. Desloquei as estacas podres, puxei Marina para junto de mim, abracei-a, beijei-lhe a boca, o colo. Enquanto fazia isto, as minhas mãos percorriam-lhe o corpo. Quando nos separamos, ficamos comendo-nos com os olhos, tremendo. Tudo em redor girava. E Marina estava tão perturbada que se esqueceu de recolher um peito que havia escapado da roupa. Eu queria mordê-lo e receava ao mesmo tempo que d. Adélia nos surpreendesse, encontrasse a filha descomposta." (pág 75/76, 2008, 63 ed.)

Essas loucuras repentinas é que são ótimas. O rapaz mais velho com quem estou saindo às vezes tem esses rompantes. Interrompe o que estou falando, me segura e beija. O beijo dele tem uns movimentos tão imprevisíveis. Mas só até aí que é bom. Nos amassos eu geralmente não fico à vontade. Não curto. Tudo fica estranho. Começo a pensar demais. Acabo constatando que não estou sentindo quase nada. Enquanto isso o cara sempre está louco, subindo pelas paredes, querendo tirar minha roupa de todo jeito. E tudo que eu quero é ir embora. Daí eu falo alguma frase besta do tipo: "acho melhor você se comportar, rs" ou "vai mais devagar", se ainda houver esperança. E "acho melhor a gente ir embora" é o último recurso.

Eu vivo como o Luís nesse tesão interrompido. Se eu tivesse mais consciência de que sou eu que corto meu barato, talvez tudo fosse mais fácil.

A questão é – diria o analista – porque você corta seu barato? Olho constrangida para o tapete peludo e não consigo pensar em nada.

Mas lembro que uma vez consegui constatar que esses apagões começaram após várias situações onde o sexo não levou ao orgasmo ou nem mesmo à um mínimo de prazer. É como se eu preferisse não me excitar para evitar uma provável frustração. A frustração nada mais é do que a própria angústia.

Para evitar a angústia é preciso evitar o sexo, causando também angústia, em menor proporção, no momento em que a excitação é interrompida. É uma medida válida, já que o objetivo é manter uma tensão mínima no aparelho psíquico. Não é mesmo viável permitir que a excitação sexual aumente deixando o organismo à mercê da insatisfação. Pois, nesse último caso, toda a libido é diretamente convertida em frustração, mal estar, angústia.

domingo, 10 de outubro de 2010

Outra notícia bombástica

Larguei a análise. Fui a duas sessões apenas. É difícil explicar o porquê. Poderia ficar aqui tecendo mil desculpas. A verdade é que talvez eu nem saiba. Bem, sempre se pode botar a culpa na "resistência do inconsciente".

Mas posso dar dois motivos estopim básicos. O primeiro é que ele me perguntou sobre porque eu disse que o pior do meu último relacionamento foi o sexo. Absolutamente não quero falar sobre isso. E segundo foi que tive um surto consumista esses dias e gastei parte do dinheiro que deveria pagar as próximas sessões do mês. Esse surto veio bem a calhar... confesso.

Estou mal. Acho que levei um fora hoje. Estava flertando com um colega da aula de dança há dias. Hoje, que houve uma oportunidade perfeita pra gente conversar a sós, ele misteriosamente ficou frio e reticente. Não entendi. Me senti rejeitada. Realmente, não se pode ganhar todas.

Estive me sentindo tão leve esta semana. Cheia de amor pra dar. Estilo "sei que estou amando, mas ainda não sei quem". Estou saindo com dois rapazes. Um já disse que é 5 anos mais velho. O outro é 5 anos mais novo, rs. Isso foi por acaso, explico, para que ninguém pense que foi uma necessidade neurótica de simetria. Além destes, há um rapaz literalmente da roça que fica me mandando mensagens lá da fazenda dele. Um dia ele virá na minha cidade me beijar. E tem o que conheci numa festa que beija bem demais. É engraçado, tenho observado que beijar bem não é sinônimo de excitação. O 5+ por exemplo, beija de um jeito diferente, meio louco, mas tem mais pegada que os outros.

Acho que estou num momento bom para ler Madame Bovary.

Mudando de assunto, preciso urgentemente fundamentar minha idéia para o projeto de mestrado. É o seguinte, o personagem é um neurótico típico, ele tem uma vivência bem marcada de sintomas. Eu queria jogar com essas coisas como possibilidades de se explorar o sentido, na psicanálise. Do modo como desenvolvi a idéia na monografia o ruivo barbudo da banca disse: você precisa trabalhar mais como introduzir outras disciplinas no seu trabalho, porque parece que o seu objetivo era apenas provar as idéias da psicanálise no romance.

O dilema é: não consigo trabalhar com outra coisa, estou agarrada de corpo e alma nessa história. E por outro lado não acho saída para misturar esses conteúdos adequadamente. Acho que tudo que fiz até agora foi com esse objetivo. Inclusive começar a fazer análise. Vale tudo. Tive vontade de falar pro analista: não quero que você seja meu analista, prefiro que seja meu orientador, rs.

Acho que eu deveria seguir lendo tudo o que há sobre o tema da angústia.

Coisas que têm ocupado minha mente com frequência: vontade de dançar, projeto de mestrado, paquerar na balada, compras, minha recém magreza assustadora.

Será que existe alguma outra doença ligada à alimentação que não seja bulimia nem anorexia? Porque depois da amigdalite meu apetite não voltou ao normal até hoje. E me assusto vendo como meus braços estão magrinhos. Ficar sem barriga é ótimo né, jamais poderia reclamar. Mas tem um vão enorme (exagero) entre as coxas. Ainda voltarei ao normal.

domingo, 26 de setembro de 2010

Minha análise

Tenho uma notícia bombástica: Comecei minha ANÁLISE! Assim, do nada. Antes dormir pensei: deveria ligar pra aquele único analista que conheço na cidade e ver se ele me indica alguém ou se posso fazer com ele mesmo. E no dia seguinte eu não enrolei, liguei mesmo, marquei pra mesma semana e fui.

Primeiramente fiquei impressionada com a decoração da sala. Que bom gosto! Que divã liiindo, moderno e estiloso. Isso é importante não é? Pra mim é.

Bom, não sei se foi uma boa idéia começar a análise agora porque no estou num ótimo momento da minha vida. Superei o término do namoro, não tenho mais insônia, há mais de seis meses não tenho crise de enxaqueca, não tenho mais aqueles pesadelos com meu pai. De modo que eu cheguei lá limpa, rs. Não tenho por onde começar.

Eu imaginava que na primeira entrevista seria apenas um bate papo, que ele falaria umas coisas tals, mas ele não falou quase nada e eu expliquei minha demanda em umas três frases, kkk. Foram os silêncios mais constrangedores da minha vida!

E eu estou com medo viu. Medo porque já me falaram que fazer análise é sempre muito angustiante. Medo de me desestabilizar, afinal eu custei a chegar no ponto que estou com tudo funcionando direitinho, as coisinhas recalcadas e os sintomas tranqüilos como num reloginho. Tenho medo da transferência também, do jeito que sou doida minha transferência pode se manifestar como uma paixão avassaladora, kkkk.

O livro que estou lendo é A Queda, de Albert Camus. Parece até uma análise, porque o protagonista vai falando, falando, falando, como se conversasse com alguém que nunca se manifesta. Enfim, um monólogo, ainda não saquei qual é a dele, mas é gostosinho.

E outro que vai falando, falando é o rapaz com o qual estou saindo. É a primeira vez que saio com um cara alguns anos mais velho. Ele me diverte, tem conteúdo, é carinhoso. O beijo não encaixou 100%, mas gosto do jeito diferente dele beijar.

Sei que começar a análise me deixou mais satisfeita comigo mesma.

domingo, 19 de setembro de 2010

Versão corrigida, simplificada e atualizada


Cheguei aqui hoje e não me reconheci na postagem anterior. Fiz uma versão simplificada abaixo.
Eu estava com tosse e pigarro há uma semana. Daí tive uma reunião de trabalho. Minha primeira reunião de verdade de trabalho de verdade na vida! E fui sozinha representando meu setor, mas era sobre o uso da net, aff. Então, o ar condicionado me fudeu. Foi só isso.
Fui à aula de Psicanálise. De cara, o palestrante era parecidíssimo com o Freud, com aquela barba branca. E como ele é empolgado! Ele explicou a formação do inconsciente assim: no início há traços de percepção, um desses traços é eleito e provoca uma inscrição no sujeito, o famoso traço unário. A partir daí outros traços vêm para tentar apagar o traço inicial, mas apenas fazem com que ele apareça mais. Eles tentam dar conta desse primeiro furo formando uma tela protetora, que é a linguagem.
Na hora de uma situação inusitada quem tem elementos pra pensar, cria explicações. Quem não tem cria um sintoma. Outra coisa bem legal que ele disse: O ato analítico faz o sujeito inventar algo para explicar, dando conta do mal estar do ato e assim, mostra a estrutura da fantasia dele. É um joguinho...
No dia seguinte tive de ir direto para o médico. Diagnóstico do otorrinolaringologista: amigdalite. E não conseguia engolir! Fiquei sem comer três dias. Achei essa minha frase ótima, a do não poder engolir. Pense na quantidade de coisas desagradáveis que temos de engolir no dia a dia e não sabemos lidar com elas? É ou não é motivo pra sintoma?
O barba branca disse que tudo na vida são as explicações que a gente dá para as coisas. Busca de explicação para o real. Interpretações que o sujeito faz da castração que sofreu. Tudo são só explicações que a gente dá para se acalmar. É estranho pensar nisso. Mas a gente corre atrás da explicação até encher páginas e páginas. E ela nem existe. Ou até encher consultas e consultas. Sempre supondo o tal saber do analista. E se afinal esse foi o sapo que não consegui engolir? Mas não, eu já estava com febre antes de ir para a aula. Mas se eu estou negando é sinal que veio direto do inconsciente.

sábado, 18 de setembro de 2010

Para quem gosta de postagem longa... ou A estrutura da minha fantasia

Estou doente, um perrengue. Eu estava com tosse e pigarro há uma semana, tomando chazinho. Na terça, estava bem melhor, praticamente curada. Nesse dia tive uma reunião de trabalho. Que emocionante! Minha primeira reunião de verdade de trabalho de verdade na vida! E fui sozinha representando meu setor. Se eu não tivesse lido "Totem e Tabu" diria que a doença foi por causa da inveja de outras pessoas do meu trabalho. Mas agora não tenho mais direito a essa explicação tão simples.

O objetivo da reunião era como sempre melhorar as coisas, cortar gastos, corrigir maus hábitos, propor mudanças. Na semana anterior usei um site que serve pra entrar no msn (aprendi isso na faculdade também), que obviamente fica bloqueado no meu trabalho. Fui à reunião, onde disseram que o uso desses sites está aumentando (e coisas bem piores também) e eles vão passar a fiscalizar a gente. A carapuça me serviu levemente e senti o quê? Não sei, algo tipo culpa. Fui almoçar chateada, sem saber o porquê, não sabia o que estava sentindo, apenas me lembrei de outro episódio da professora-Super-eu. Até fui buscar ajuda no meu periquito (no interior a gente volta em casa para almoçar), porque com ele não precisa usar palavras mesmo. Choraminguei um pouco e ele entrou na rodinha de ramister para me alegrar. Quando coloquei essa rodinha na gaiola dele todos riram de mim: só ratos é que brincam com isso. Mas sempre soube que ele era muito inteligente, um dia desses coloco um filminho dele no youtube. Vai ser um sucesso total.

A reunião me lembrou da seguinte situação. Uma vez, nos tempos da faculdade, eu adoeci gravemente, mais grave que agora. E tinha como sempre os trabalhos pra fazer. A professora era bem chata, que contava a vida dela toda ao invés de dar aula. E a matéria era mais picaretagem ainda, um assunto que ninguém estudou ainda e, portanto, não tinha nenhuma tradição, nem embasamento teórico. Ela queria que a gente lançasse a pedra fundamental pra ela usar.

Bom, tendo explicado previamente minha inocência, vou relatar o crime. O trabalho era em dupla. Já havia começado minha parte, feito um esquema bem tosco. E adoeci. E a febre tomou conta, dor, vômito. Chegou o dia de mandar minha parte pra dupla. O que eu fiz? Tava pra morrer mesmo (rs) mandei pra colega pensando: ela vai ler e vai cortar essas coisas ou chamar minha atenção. Tinha trechos que era de citação que não coloquei referência. E tinha uma idéia bem boa e maluca, tirada de uma matéria de psicanálise que eu estava fazendo. A psicanálise, sempre a psicanálise. A culpa é toda dela.

Se o importante era mandar o trabalho, mandamos. A menina até elogiou minha parte. Dias depois, quando voltei à aula, sem autorização do médico nem dos meus pais, muito abatida, ainda tomando antibióticos fortíssimos, massacrada com as palavras do médico de que eu poderia ter perdido meus rins e etc (mais uma coisa que eu não soube lidar) e preocupada com esse trabalho. A professora entrega os trabalhos. No final da aula ela conversou, conversou não, humilhou a minha pessoa e a da minha dupla. Disse que era caso de polícia, direitos autorais. Tentei mostrar meu atestado, ela nem quis ver, disse que estar doente não justifica um roubo, palavras que eu não tive reação. E ela nem fazia chamada, de que adiantava atestado? Minha dupla começou a chorar convulsivamente, o que me deixou mais chocada. Fiquei calada. Depois de ver as lágrimas da minha dupla ela deixou que a gente fizesse cada uma um trabalho novo. Que raiva. E até elogiou meu segundo trabalho. Super Nany.

Fui para casa tipo um zumbi. Fiquei como boa neurótica, horas, horas, me perguntando: sou inocente? Eu tinha escolha? Eu agi de má fé? Eu poderia ter feito de outra forma? Deveria ter deixado a dupla na mão? Deveria ter perdido os pontos e tentando passar com os outros pontos do semestre? Deveria ter abandonado a disciplina? Enfim, mil e um questionamentos. Achei que minha vida, principalmente a acadêmica havia acabado.

Fui à aula de Psicanálise essa semana, antes da doença me derrubar e foi tudo de bom. De cara, o palestrante era parecidíssimo com o Freud. Ele usa aquela barba do Freud velho, branca. E como ele é empolgado! Ele explicou a formação do inconsciente assim: no início há traços de percepção, um desses traços é eleito e provoca uma inscrição no sujeito, o famoso traço unário. A partir daí outros traços vêm para tentar apagar o traço inicial, mas apenas fazem com que ele apareça mais. Eles tentam dar conta desse primeiro furo formando uma tela protetora, que é a linguagem. Depois tem a transcrição e a tradução. Ele chamou isso de estrutura da fantasia também. Ou estou misturando?

Na hora de uma situação inusitada quem tem elementos pra pensar, cria explicações. Quem não tem cria um sintoma. Outra coisa bem legal/doida que ele disse: O ato analítico faz o sujeito inventar algo para explicar, dando conta do mal estar do ato e assim, mostra a estrutura da fantasia dele. Alguém aí pode vislumbrar a estrutura da minha fantasia?

O psicanalista disse que tudo na vida são as explicações que a gente dá para as coisas. Busca de explicação para o real. Devo usar o Real, tipo Lacan? Sei lá. Interpretações que o sujeito faz da castração que sofreu.

No dia seguinte tive de ir direto para o médico. Diagnóstico do otorrinolaringologista: amigdalite das bravas. E eu não estou conseguindo engolir! Estou sem comer normal há três dias, talvez por isso essa confusão mental (acabei de criar mais uma explicação, rs). Achei essa minha frase ótima, a do não poder engolir. Pense na quantidade de coisas desagradáveis que temos de engolir no dia a dia e não sabemos lidar com elas? É ou não é motivo pra sintoma?

A primeira situação eu adoeci e depois fiquei culpada. Na segunda eu fiquei culpada e depois adoeci. Na primeira não sabia explicar se eu era inocente. Na segunda queria saber o porquê do mal estar depois da reunião, por que da doença (eu estava melhorando, foi uma piora muito repentina).

Logo após o mal estar da reunião senti necessidade de "expiação dos meus pecados". Joguei fora do pc do trabalho as fotos e músicas pessoais e me ofereci para ir entregar documentos longe, num dia de calor, para aproveitar e pegar um livro na biblioteca e assim me redimir com a Literatura. No setor corri e fiz tudo o que tinha pra fazer (infelizmente foi um raro dia cheio). E logo senti febre. Quando a garganta começou a arranhar inventei minha explicação de neurótica: foi o ar condicionado da reunião.

Tudo são só explicações que a gente dá para se acalmar. É estranho pensar nisso. Mas a gente corre atrás da explicação até encher páginas e páginas. E ela nem existe. Ou até encher consultas e consultas. Sempre supondo o tal saber do analista. E se afinal esse foi o sapo que não consegui engolir? Mas não, eu já estava com febre antes de ir para a aula. Mas se eu estou negando é sinal que veio direto do inconsciente. Essa coisa da negativa da outra aula também me pirou. Nada como uma aula provocativa, não é?

Como estou de atestado, não voltei no trabalho e não pude começar o livro que deixei lá. Era um pouco mais de literatura na minha vida... Viu? Estou me lamentando não poder corrigir meus erros.

Desculpa essa falação louca, mas é que a doença me deixou sem poder falar também. E eu nunca escrevi ou consegui conversar com alguém direito sobre esse causo. Muda. A professora me deixou muda. E essa doença agora também. Mas muda entre aspas, posso escrever. E até grunhir. Aliás, depois de horas no hospital, meus pais passaram num restaurante. E eu não podia ver as pessoas comendo porque estava com uma fome louca, sem poder engolir. Fui me distrair numa loja de roupas, sem poder falar também. Pensaram que eu era muda (ou doida?). E eu vi que me trataram diferente. Uma educação exagerada e depois certa indiferença. Deficiência. No outro dia, podendo falar, mas falando com dificuldade, tipo com síndrome de down, me atenderam com certa preocupação numa outra loja. Isso é tema para outro post. Aliás, esse post deveria ser desmembrado em vários. No momento estou melhor, apenas falando tipo fanho, sofrendo para beber um golinho de líquido e sem comer.

 

Vou postar assim mesmo, depois volto aqui e divido tudo em uns 3 ou 4 postagens.

Droga, estou aqui tentando simplificar as coisas e só aparece mais coisa! Não contei como eu adoeci da primeira vez. Acho que tive uma baixa no sistema imunológico por causa da morte do pai de uma amiga de infância. Já estava doente e depois do velório a doença se agravou rapidamente, igual após essa reunião. Eu fiquei muito chocada com minha amiga chorando, não consegui falar nada (de novo). Falar o quê diante da Morte? Lembro que me senti tão culpada por não ter o que dizer pra ela. Apenas a abracei e senti um raio amolecendo minhas pernas. Depois veio o hospital e a professora.

Agora veio o professor e o hospital. Então é isso! Achei uma explicação melhor ainda. Ver a amiga chorando e depois ver a colega chorando. E não poder fazer nada!

Sherlock Holmes tinha razão. Pensamos melhor quando estamos sem comer.

Estou igual criança tentando analisar se minha redação tem princípio, meio e fim! kkk

Mais de meia noite. Vou dormir.

Sei que isso tudo é culpa, mal estar, sapos que a gente engole. Isso aqui está parecendo muito com o livro Angústia do Graciliano.

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Coisas estranhas


Algo me diz que esse blog será mais Confissão e Psicanálise do que Literatura e Psicanálise. Fui numa Jornada de Psicanálise um sábado aí pra trás. Era sobre Literatura e Psicanálise e as pessoas falaram muito de Clarice Lispector e James Joyce, o óbvio. E houve a apresentação de um vídeo com uma entrevista da Clarice. Que pessoa bizarra. Parecia um alemão que tinha aprendido a falar português no interior da Bahia. E a seriedade? Tirando isso, leio minhas anotações e não entendo muita coisa. Muitas idéias desconexas. Espero que isso não tenha nada a ver com minhas emoções...
Tenho que contar um sonho muito louco que tive semana passada. Primeiro os restos diurnos: um cara chato do trabalho havia me dado conselhos sobre relacionamento. Outro havia discutido comigo sobre idéias machistas como "o homem deve pagar a conta". Sonhei que estava num supermercado. Estou olhando materiais de limpeza, encontro uma coisa (eu deveria desenhar depois e colocar aqui, rs) tipo um funil com uma escova de lavar roupa por dentro, na verdade uma coisa achatada com cerdas no final de uma das bordas internas, que serve para se enfiar e tirar o bico do tênis (se eu contar esse sonho pessoalmente pra alguém vou ficar vermelha). Depois estou escolhendo ferramentas. Vejo vários tipos de pincéis, com cerdas retas ou arredondadas e umas pessoas me aconselham: compre para o seu pai. Eu entendi na hora (dentro do sonho) que eu compraria pra mim, mas diria que são para o meu pai. Sabe quando você compra pra sua mãe um batom lindo que você também vai poder usar? Tipo isso.
Vou para o caixa e é aí que aparece o colega chato do trabalho, ele é tipo meu "amante" e vai pagar a conta. E eu pergunto pra ele irritada: A sua mulher sabe que você está aqui comigo? - Ele responde qualquer bobagem e esqueci a continuação.
Será que essa parte do meu pai é tipo: sou adulta, mando na situação, mas vou deixar você pensar que tem o poder? Seria uma saída interessante depois de ter tido tantos pesadelos com ele.

Imagine essa escova ao avesso: as cerdas por dentro da alça.

Um olhar, uma luz ou um par de pérolas...


Descobri porque estava estranhando minhas postagens. É que eu estava escrevendo pela manhã. E nunca é a mesma coisa, como já expliquei em alguma postagem.
Saí para dançar esse fim de semana. E resolvi seguir o conselho do Carlos Eduardo (vide comentários da postagem anterior). Observei à minha volta até encontrar uma vítima. E troquei uns olhares. Mas já havia outra moça investindo nele. Ele parecia estar resistindo a ela... ou fazendo a dança do acasalamento, sei lá.
Então, fui para o centro da pista com meus amigos. Dançando, dançando apareceu um rapaz que passava por perto toda hora, às vezes dançava ao meu lado, mas não parecia interessante e o boné escondia um pouco seu rosto, preferi nem reparar direito para que ele não se apresentasse. Algum tempo depois, repentinamente ele começou a dançar na minha frente, achei isso engraçado, exagerado, meio absurdo e quando olhei para o rosto dele... Um olhar que talvez possa ser descrito como olhar 43, mas era muito mais. Eu apenas ri, não podia olhar pra ele sem rir. E se não bastasse a sagacidade, os olhos ainda eram verdes.
Achei isso hilário. Eu pretendia seduzir e acabei sendo seduzida com apenas um olhar.
Sempre me interessei por coincidências. Sou uma boa neurótica que adora números repetidos, encontros/desencontros, histórias de pura sorte. Uma dessas bobagens que mais me chamaram a atenção na adolescência foi o nome das pessoas. Eu notei que sempre me interessava por algum Thiago e que nunca dava certo. Depois de crescidinha tentei superar o trauma e namorei dois exemplares diferentes desses moços, mas deu errado novamente. É um nome tão comum, esses acasos vão me perseguir a vida toda... É claro que eu gostaria que tivesse um sentido, droga.
Se eu vir esses olhos verdes novamente, vai ser mais um para a coleção.

She's a carioca
(Celso Fonseca/ Tom Jobim)

Ela é carioca, she's a carioca
Just see the way she walks
Nobody else can be what she is to me
I look and what do I see
When I look deep in her eyes

I can see the sea
A forgoten road
The caressing skies

And not only that, I'm in love with her
The most exciting way
It's written on my lips
Where her kisses stay
She smiles and all of a sudden
The world is smiling for me

And you know what else
She's a carioca
Ela é carioca

Ela é carioca, ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na luz dos seus olhos
As noites do rio ao luar
Vejo a mesma luz
Vejo o mesmo céu
Vejo o mesmo mar

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Irrepresentável ou Dos homens modernos sem iniciativa

Estou tão feliz! Preciso até sair pra comemorar a chegada da minha coleção standard das Obras Completas de Sigmund Freud! Nunca mais precisarei ligar o laptop para ler a versão digitalizada que usava antes. E comecei o curso de psicanálise. Tenho sempre a sensação de que quando se começa um curso ou grupo de estudos de psicanálise sempre há muitas novidades. Parece que a forma de abordagem de cada professor é única. E os conceitos escolhidos como básicos ou o primeiro ponto de teoria trabalhado é sempre diferente. Ao contrário do que acontece em outras áreas, nunca tenho a sensação de que já estudei aquilo ou de que o assunto está batido.
Psicanálise é difícil ou nunca estudaremos o suficiente? Parece que estou sempre na introdução! E eu já estudo os primeiros temas desde os 13 anos (há mais de 10 anos portanto, rs). Bom, nessa primeira aula estou começando a entender a questão da inscrição do significante, que bordeia o nada, rs. Isso é muito mais louco que estudar a aquisição da linguagem em Linguística I. Parece que tem umas "coisas" e digo coisas no sentido mais bizarro possível, há coisas que não chegam no insconsciente com sentido, chegam como um corpo estranho.
A palestrante usou o exemplo do oleiro. Rs, engraçado, me lembrei que há um bom tempo atrás, no tempo em que fui evangélica "exemplo do oleiro" seria o homem como um vaso para conter deus. Mas esqueça essa imagem, estou falando da formação do aparelho psíquico: o barro subindo formando um vaso e bordeando o vazio: o significante formando representações no inconsciente enquando bordeia o irrepresentável. Parece que quando o bebê está adquirindo a linguagem as coisas se dividem em palavras e não-palavras. Esse foi o olho da primeira aula. É novidade pra mim porque esse bordeamento é do Lacan e ninguém havia me explicado como isso se dava. Estou empolgadíssima.
Hoje é dia trinta de novo. Hoje não perguntarei à um desconhecido que dia é, como fiz no dia da briga. Muitos dias trinta virão. Chorei muito semana passada pensando que provavelmente ele nunca gostou de mim. Agora estou melhor, tudo que eu preciso é não saber mais nada dele.
Quando começo uma postagem sempre me lembro que tinha muitas coisas pra escrever. Mas não quero dar uma de cronista e ficar aqui explorando a questão da dificuldade da escrita.
Tenho uma nova questão que está me preocupando. Sou mulher (mulherzinha, perigosa perua, barbie), quero que os pretendentes interessados se posicionem. Não quero ter que tomar a inciativa. Mas parece que hoje (há três anos atrás era diferente) você tem que correr e escolher o seu, porque senão outra passa e leva, e eles estão nem aí, querem mais é ser escolhidos pela primeira que passar. Por causa disso perdi um moço muito bonito na balada um dia desses. Ele não escolhia com quem iria ficar, daí uma colega perdeu a paciência e pegou ele.
Se minhas postagens estão sem progressão, é porque muitas vezes cada parte do texto foi escrito num dia diferente e quando vou postar nem sempre tenho tempo pra fazer um presponto decente. Como profissional de letras sempre levo comigo a culpa por não ter escrito um texto melhor.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Single lady

Por mais que eu passe tempo longe do blogue, sempre volto. Esse blogue é o meu lugar de organizar as idéias, de tentar elaborar os problemas. Todo neurótico deveria ter um blogue.
Acho que não consigo ser feliz sem estudar. Pensando nisso vejo que escolher a carreira universitária realmente é o mais certo a se fazer.
Nunca pensei que estaria num momento tão tranqüilo assim na minha vida, ainda mais recém formada. Estou na casa dos meus pais, meu trabalho é super mole e estou ganhando quase cinco vezes mais do que no estágio da faculdade. Acho que são muitas coisas boas, me sinto envergonhada por ter acreditado que eu não estava bem.
Estranho, eu pretendia escrever sobre a felicidade. Agora sinto como se não fizesse mais sentido.
Sabe aquela frase “Quando a realidade parece ficção é hora de fazer documentário”? A minha versão é: quando a sua vida parece ficção é hora de postar no blog.
Estava aqui desnorteada, sem nem saber por onde começar a pensar. Parece que estou sendo (ou fui) traída (é o mais provável), meu namoro acabou (agora tem que acabar) e estou com a cabeça girando. Então, me lembrei de uma cena, nós no meio da discussão, andando numa calçada qualquer (agora me lembro que fiz um trajeto para casa meio absurdo, dei a maior volta, na hora nem reparei) e perguntei a uma mulher: que dia é hoje? Como quem pergunta normalmente: que horas são? E ainda senti uma certa irritação por a mulher fazer cara de estranhamento.
Comecei a rir lembrando a cena. Que coisa mais engraçada e absurda, perguntar a alguém na rua, já de noite, com voz de urgência: que dia é hoje? E ainda falar alto depois com o traíra: hoje é dia 30! É melhor eu nem tentar explicar onde isso se encaixa na briga.
Sinto-me burra e perdida como a heroína de E o vento levou, Scarlet. Não consigo chorar, nem sei se vou conseguir dormir. É como Scarlet dizia: se eu pensar nisso agora vou enlouquecer, amanhã eu penso numa maneira de resolver as coisas.
Estou preocupada, não quero fazer nenhum Desenredo como no conto homônimo do Guimarães Rosa no qual o protagonista é traído e inventa que a mulher é uma santa. Não tenho estômago pra isso.
Este mês começam as Lições Introdutórias de Psicanálise, é a única idéia que me consola. E as compras também, afinal, talvez o que nos resta é apenas o consumismo desenfreado (isso foi redundante?). Não torça o nariz, para quem é ateísta não há nada que um bom banho de loja não cure. “Shoooesssss!”, diria Carrie em Sex and the City.
I'm a single lady, e ainda entrei para a estatística de mulheres traídas. O interessante é que eu não posso provar que ele me traiu e nem ele pode provar que é inocente. Num namoro bem mais ou menos, que durou três anos não posso lhe dar o benefício da dúvida. E eu é que não vou ficar na dúvida a vida toda tipo o Bentinho do Machado.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dança comigo?

Não, não é mais um post sobre filme. É sobre dança de salão. Mudei de professor, agora faço com um casal de professores. E a professora dança com as meninas também, é o máximo. De modo que estou aprendendo os passos do cavalheiro também.

Os métodos dela são diferentes. Ela tem pontos positivos que meu professor de antes não tem e vice versa. Ela sistematiza melhor a aula, treina a cada aula um determinado conjunto de passos em sequência com todos os alunos ao mesmo tempo.

Isso é bom porque é bem didático, já que o aluno automatiza uma sequência complexa de movimentos. Contudo, deixa os alunos viciados e sem noção de como fazer os mesmos passos em outra ordem, inclusive porque ela não treina os movimentos de comunicação entre o casal, de modo que a dama não sabe quando deve reagir de tal forma, só reage porque foi a ordem decorada.

Já com o antigo professor não havia bloco de passos. Havia uma sequência única de passos, dos mais simples aos mais complexos, que cada aluno seguia treinando cada qual conforme sua capacidade de desenvolvimento. Desse modo, ele priorizava os comandos, a dama devia estar preparada para receber um comando diferente a cada momento e reagir conforme o passo pedisse.

Mas assim os alunos ficavam muito desnivelados e os cavalheiros aprendiam poucos passos, porque o professor só dançava com as meninas e suas ajudantes não eram capazes de ensinar passos novos aos meninos.

Outra coisa é que ela prefere treinar muitas variações de passos mais simples e não trabalha marcação específica de cada dança. O professor que tinha nos fazia bater os pés dar um passo a frente jogando o lado direito do quadril e bater o pés novamente antes de dar um passo para trás, no zouk. A profa. só nos faz andar para frente e para trás, não sei porque, talvez ela ache assim mais prático. E ele também não se prendia a passos simples, ia logo passando para passos cada vez mais complexos.

Engraçado é que tinha ouvido dizer que essa profa. era muito exigente em suas aulas. Que nada. Ninguém é mais exigente que meu professor anterior. Se você não fizer o passo certo ele sacode você. E se você continuar sem conseguir ele começa a fazer piadas sarcásticas com a sua cara. Nessa altura você já está tendo uma crise nervosa de riso. Mas então com muito esforço (e sorte) você acaba por conseguir executar o passo novo e ele diz com cinismo: Aleluia!

E sabe que apesar de tudo estou com saudades dele?

Identificação

Está bem, não agüento ficar sem falar nada do Graça. Tomando-se como referência Infância, Insônia e Angústia, nota-se na obra de Graciliano Ramos alguns temas recorrentes, sendo que a maioria deles é chave para a humanidade. Outros nem tanto, talvez só eu mesma me identifique. São eles o incômodo da dúvida, as diversas manifestações da angústia, o sentimento de limitação social/castração, o descontrole, os impulsos inconscientes, a sensação de sufocamento, o sofrimento da espera, a insônia, as lembranças desagradáveis da escola/infância, o palavreado que enjoa, as associações com cobra, a doença, o delírio, o desconserto diante do ato sexual, a carta de recomendação de um político, a idéia de ter sido humilhado, o castigo, idéias subjetivas Diabo/Inferno, a morte, a política, a revolução.
Bom, me parece que em Infância uma parte de Angústia se desenvolve e se fixa como autobiografia. É como se as recordações infantis fossem especialmente desenvolvidas em Infância e a ficção fosse eliminada ao máximo. Já em Insônia pequenos pontos importantes de toda a obra são desenvolvidos cuidadosamente conto a conto, de modo que podemos ver a maior parte dos elementos que compõem Angústia fragmentados como num mosaico que é Insônia.

Sei lá, às vezes parece que não há mais nada a se fazer do que escrever. É em algo assim que GR acreditava. Também acredito.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Filmes e Feminismo

Continuo consumindo mais filmes do que livros. Semana passada li Insônia, do Graciliano. Mas prefiro não comentá-lo porque no mestrado devo focar no Graça, daí não devo gastar minhas idéias aqui.
Se você ainda não assitiu a nova versão de Alice no país das maravilhas, então não perca seu tempo com essa porcaria. Que arrependimento, eu não pretendia ver, assisti por causa da minha irmã. Não tem enrredo, não chega a ser uma possibilidade de versão e nem tão pouco chega a ser outra história de Alice. É fraco mesmo. Acho que nem as crianças vão gostar. Como diria o clichê, Lewis Carroll deve ter se revirado no túmulo. Todo mundo já criticou, mas eu quis contribuir.
Vamos aos filmes legais que assisti esses tempos. Amor sem escalas é ótimo, surpreendente, como comédia romântica é claro. Mais fino eu assisti O garoto, de Charles Chaplin, sublime.
Mas o que realmente me arrebatou foi Sex and the City 2! Que cenários! Que figurinos! E com os temas mais importantes na vida das mulheres contemporâneas!
Vi críticas masculinas negativas. Mas é como naquela música da Vanessa da Mata "os homens odeiam, as mulheres adoram". O enrredo é forte sim. Feminista, seja na América, seja no Oriente Médio, mostra como os homens sempre tentam reprimir a voz da mulher. E é irreverente como sempre foi a série. Mostra homens bonitos como pouca roupa (pra variar né, as mulheres estão fartas desses filmes machistas que só têm mulheres peladas, aff). Esse filme é um alívio, é uma benção. Realmente, como os homens poderiam gostar se tem até um casamento gay nas primeiras cenas?
É um filme maravilhoso que faz jus a toda a série e conseguiu ser melhor que o primeiro filme. Quando você sai do cinema tem a sensação de que teve um orgasmo múltiplo de 2 horas e meia de duração. É a forma mais eloquente de descrever o clima. Recarregou minhas baterias, me sinto cheia de energia pra tudo. É uma experiência tão pessoal e mística, rs.
Depois que eu rever o filme umas três vezes eu vou escrever uma crítica detalhada e com mais conteúdo. Agora quero só delirar mesmo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ódio recalcado

Desde que voltei a morar com meus pais estou tendo problemas de adaptação. Parei de sonhar que meu namorado está me pirraçando, agora sonho com meu pai. Quase toda noite, pesadelos horríveis. Vão me incomodando todas as madrugadas, deixando meu sono insatisfatório.
Se antes o problema era dormir, agora é permanecer dormindo a noite toda. Numa noite sonhei que ele estava me dando uma surra (ele só me bateu uma vez na infância), minhas pernas estavam ardendo. Na outra ele respingou meu quarto todo (no sonho meu quarto era estreito e conjugado com um sanitário), me matando de raiva.
Ele está reformando a casa e ninguém pode dar palpite. Tudo tem de ser do jeito dele. Implica com as coisas que eu trouxe da capital. Não pude mais dirigir o carro dele depois que o pára-choque apareceu com um risquinho de outra cor. Brigou com meu namorado por causa de uma bobagem. E houve vários outros episódios de intolerância.
O sonho desta madrugada foi terrível. Vou contar apenas os piores momentos. Saio do meu serviço e a porta dá para um super mercado. Numa mesa vendem uma torta de cabeça humana. A torta é decorada com essas flores usadas em caixão, mas são de chocolate. Corro aterrorizada. Chego a um corredor com restos de flores no chão, como se ali tivesse ocorrido um velório. O terror aumenta, me sinto acuada. Olho para trás e vejo um homem com um agasalho preto largo de capuz. Dentro do capuz não há cabeça, há uma lâmpada incandescente. Corro para esse ser estranho, com muito ódio, grito: mata esse desgraçado! E dou uma "voadora" nele.
Parece meio cômico mas acordei apavorada, com medo de abrir os olhos ou de acender a luz. Lembrando os detalhes vejo que quem costuma usar esse agasalho é o Sr. R. Contudo, a lâmpada lembra o final de uma das brigas que tive com meu pai. A morte, como Freud dizia, representa o processo de independência do meu pai. E a violência com certeza o ódio recalcado. Acho que não contei que quando o Sr. R brigou comigo ele me tratou como se fosse meu pai e os motivos foram os mesmos pelos quais meu pai já brigou em outras e diversas ocasiões.
Um dos motivos é o desaparecimento de algum objeto. Como no caso do Cinturão em Infância de Graciliano Ramos. Um pai injusto e cruel.
Parece que esse pesadelo representa o desejo inconsciente de que meu pai morra. Não poderia ser pior. O inconsciente usou a figura do Sr. R porque por ele eu me permito sentir ódio, afinal, não passa de um conhecido. E ninguém do setor gosta dele mesmo.
Interessante que o ser não tinha cabeça. E a torta era de cabeça, aparentemente a cabeça do meu pai. Isso me lembra do texto Totem e Tabu, onde o pai primevo é morto e devorado pelos filhos. Só de ver a torta senti muito medo e nojo. Mas ao ver a criatura senti muita raiva e então acordei.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fim do Sr. R

Bom, aconteceu tanta coisa a respeito do caso do Sr. R.... Mas chegou ao fim. Eu conversei sobre o assunto com uma amiga. E na conversa vi que era tudo uma grande bobagem. Sei lá, disso eu já sabia, mas foi conversando que eu elaborei. E daí passou.
Dias depois o Sr. R foi grosso comigo duas vezes e sem motivo algum. Então surgiu a raiva, que agora é apenas vontade de não ter contato.
É interessante essa questão da elaboração. Não adianta você saber, não adianta alguém te falar, não tem nada a ver com isso. É interno. Vou reler aquele texto do Freud sobre repetir e elaborar.

Relacionamento gay

Meus amigos e amigas gays sempre reclamam da dificuldade de encontrar alguém para namorar. Pensei numa teoria. Se de acordo com a Psicanálise todos temos tesão pelos dois sexos, então, pessoas com orientações sexuais diferentes do arroz com feijão hétero tiveram que vencer as forças do recalque. Provavelmente, são pessoas que tendem a ser menos presas às demais regras sociais. Portanto, conseguem vencer com mais desenvoltura outros recalques que estão geralmente bem fortes nas pessoas mais "recalcadinhas". Esses impulsos recalcados não combinam com a vida em sociedade, óbvio, do contrário não seriam alvo de recalques, dãã. Por isso, essas pessoas menos recalcadas não são muito aptas para as relações sociais de modo geral. Daí provem a sua visível dificuldade em manter relacionamentos estáveis e/ou tradicionais.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TPM

É tudo tão complicado. Já falei da minha teoria de que esses senhores na minha vida são uma forma de compensar o sentimento de carência na qual F me deixa? Ele é a razão de tudo.
É tudo tão confuso. Eu o amo, mas penso que gostaria que ele fosse diferente. Mas se fosse diferente não seria ele. E não consegui gostar de caras que eram do jeito que eu queria.
Que papo mais Bentinho né? Altamente suspeito. Não acredite em tudo que eu escrevo. Sou suspeita como os olhos de cigana dissimulada de Capitu. Nem eu acredito mais nas minhas idéias. Recalque sobre recalque. Esse drama todo pode ser sinal de TPM.
Estou ouvindo Hansons, quem se lembra? Divertido, minha adolescência direto do túnel do tempo.

Crise II

Cismei que quero sair com o Sr. R. Já deu pra perceber que a transferência dos afetos pelo Sr. G foi executada com êxito para o Sr. R. Tá tão difícil fazer ele me notar.


Tá tão difícil decidir entre mestrado ou estudar psicanálise.

Continuo com F. Ele se comportou tão indignamente nessa crise da suposta gravidez. Fiquei tão decepcionada e desanimada com ele. Ele é um bom rapaz, mas não é nem um terço do que eu esperava de um homem. Temos quase três anos de namoro e ele tem vinte e cinco anos – lidou com a situação como se tivesse quinze e fosse a primeira transa dele.

Coincidência, o Sr. R disse que namorou três anos, ela ficou grávida, casaram-se e após cinco anos se divorciaram. Há dois anos é evangélico, não está namorando, não tolera ciúmes e tem de cuidar dos filhos. De cara vejo que não sirvo mesmo pra ele.

Ainda bem que a minha história é diferente. Eu não engravidei, não fui à casa de D. Albertina, não planejei matar ninguém, não me escondi da polícia. Nem angústia, nem crime, nem castigo.

Outra coincidência é que na revista Criativa desse mês li uma reportagem sobre os prós e contras de se viver um romance no ambiente de trabalho. Histórias bizarras, gente que transava no banheiro, gente que traía o noivo, gente que transava com o chefe sem gostar dele.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Crise

Tinha uma nova teoria para examinar aqui, mas subitamente senti preguiça.


A realidade é que em maio minha menstruação não veio. Mês das mães. Assevero que havia tomado todas as precauções e também não estava sentindo nada. Lembro da Marina do livro Angústia, vomitando, chorando, andando furtivamente até a casa onde faria um aborto. Os sapatos vermelhos gastos afundando na areia. Casa de D. Albertina.

Já te aconteceu de ficar olhando pro sorriso de um cara e pensando: me chama pra sair! Passei muitos dias sem postar nada para não ter que pensar. Rimou.

Passei uma crise terrível, suspeita de gravidez. Não quero escrever sobre isso, talvez algum dia. Estou bem, o teste deu negativo.

Bom, li Crime e Castigo. Que coisa! Nada a ver com o que eu estava imaginando. Gostei, mas não foi tudo aquilo que eu esperava. É notável como o tema do crime e a angústia centrais em Angústia do Graciliano Ramos vieram do Dostoieviski. Mas o Graça é muuuito melhor. O desenlace, os subtemas, a forma, a consistência das personagens.

Escrever eu continuo escrevendo, estou é sem tempo de postar.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ficção Fantástica

Gosto de usar fotos do meu periquitinho Agapornis Personata na área de trabalho. Ele é o amor da minha vida. Coloco estendido e fico imaginando que loucura se ele aparecesse grande, tipo um metro de altura. Minha mãe diz que acharia lindo. Mas aquele bicão vermelho ia destroçar as portas da casa facilmente. Ou arrancar nossos braços caso tentássemos segurá-lo. Na verdade com um metro de altura seu corpinho redondo não passaria numa porta comum. Não, passaria sim, porque ele é mestre em fugir de gaiolas e atravessar passagens estreitas. E quando ele desse seus gritinhos e dançasse com suas asas verdes abertas, jogando o peito amarelo pra frente, faria qualquer um se esconder debaixo da mesa. Mas sua infinita desconfiança provavelmente voaria para o telhado e ficaria distraído cutucando o pé, então enorme garra azulada.




Se fosse pra inventar minha versão brasileira do Harry Potter poderia usar um periquito assim enorme para ser uma criatura mágica, meio de transporte. Surpreso com a citação? É, também tenho espaço na minha vida para a chamada literatura comestível. E ela é até saborosa, não é assim um Saber com sabor, como propõe o Barthes, mas diverte.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sobre o blog Profissão Leitor

Estava lendo o blog do José Pacheco, Profissão: Leitor e decidi imediatamente ler Crime e Castigo.
Aliás, caro Pacheco, aviso que não consegui postar comentários em seu blog, não sei, quando tento aparece um dowload de um arquivo chamado default (?).

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sobre homens e personagens

Tenham paciência porque Sherlock Holmes ainda vai render um pouco mais. Tive um insight agora lendo uma crítica velha do filme. Ela dava ênfase à diferença das versões antigonas. E pensei que o que me marcou mais foi a beleza dessa versão, mas que afinal sempre desejei que ele fosse bonito. Aliás, os dois, porque a referida crítica mostrava um Watson gordo, por exemplo. O meu nunca foi gordo. Bom, perdi o interesse por esses filmes antigos.

Mas o insight foi a respeito da seriedade do Holmes. Nesse filme ele está quase um palhacinho. Também sempre quis que ele fosse menos fechado, menos sóbrio. E isso me levou direto aos meus “homens reservados”. Não posso deixar de pensar o quanto personagens como este detetive contribuíram para a construção do meu imaginário. Até que ponto teria a literatura moldado minhas preferências amorosas? Porque é impossível ignorar a semelhança entre meus objetos de desejo e esses personagens. Outro exemplo é o Batman, meu favorito, cavaleiro das trevas, hábitos noturnos, discrição, reserva. Certamente o fio do imaginário do homem reservado começa por aí.

Eu contei sobre a fórmula do homem reservado, dei exemplos, mas não disse como ocorreu a idéia. Foi por causa de um tipo que conheci recentemente. Não parecia ter nada de especial, mas me surpreendi à noite tendo pensamentos libidinosos a seu respeito. No dia seguinte ao analisar o ocorrido cheguei ao homem reservado.

Mas só estou contando isso porque obtive mais informações sobre o sujeito, vou chamá-lo de Sr. R. Antes sabia que ele tinha um filho adolescente e, portanto, acreditava que ele era casado e teria mais de quarenta anos. Agora sei que tem 38, é divorciado e possui um gênio terrível. Parece adorável, não? rs. As más línguas debocham dele dizendo que seu mau humor é devido à ausência de atividade sexual. Preciso explicitar que seria um prazer ajudá-lo? Quando ele passa por mim nos corredores e diz meu nome fico levemente desequilibrada como se acabasse de executar um di-le que non da salsa ou um bailado do bolero. O que poderia ser melhor que um homem reservado? Um homem complicado é claro, um subtipo do reservado.

Isso me deu vontade de ouvir umas músicas latinas... Ele está disponível. É difícil, reservado, complicado, genioso. Tocante. Me sinto como se estivesse diante de um animal selvagem e com a licença para caçar no bolso. Segundo A Casa dos Budas Ditosos do João Ubaldo Ribeiro não há ninguém que não possa ser seduzido. Mas é preciso saber como. A narradora-personagem quebra todos os tabus da nossa sociedade. É de tirar o fôlego. Eu por exemplo não soube desarmar o Sr. G. Também, perto dele eu virava uma adolescente tímida, ficava congelada. Como eu gostaria de ser uma versão feminina de Alfie o Sedutor. Sou careta, nunca trairia um relacionamento sério. Mas ele nem tinha relacionamentos sérios.

Não dá para acreditar. Sabe que às vezes pego o Sr. R cantando Roupa Nova? Tem algo mais romântico? Agora, a dúvida é: ele canta porque é fofo e gosta ou porque é fofo e quer me impressionar? Não sei qual das alternativas mais me agrada. Nossa, ele é tão cabeça. Apesar das reclamações que escuto sobre ele estou gostando do seu jeitão cada vez mais.

Bem Simples
Artista: Roupa Nova


Tudo bem simples
Tudo natural
Um amor moreno
Fruto tropical

Todas as cores
Que eu puder te dar
Toda a fantasia
Que eu puder sonhar

Eu pensei te dizer
Tantas coisas
Mas pra que
Se eu tenho a música (música)

Bom é bem simples
Sem nos complicar
E bastante tempo
Pra te amar...


Agora pergunta-se e F seu namorado? F é muito novo, é apenas um ano mais velho que eu e não sei se posso imaginar um futuro muito distante com ele. Certas opiniões dele me indicam que ele não é a pessoa tão certa assim.

É bom querer algo que não se pode ter, não é? Que o diga Lacan.

Com o tempo minhas postagens estão ficando cada vez mais difíceis de amarrar. Estão tomando um rumo de associação livre.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Homens reservados

Acabo de conseguir identificar um padrão de homens que me atraem. É aquele tipo sério, na dele, mas conversa com as pessoas se tiver oportunidade, e até brinca. É o reservado, que mesmo que esteja interessado em você não demonstra, por um motivo qualquer. Meu namorado, por exemplo, não deu nenhum sinal de que poderia estar interessado em mim, apenas porque nosso amigo disse que eu estava enrolada.


Poderia dizer que é o tipo homem difícil. O rapaz com o agasalho amarelo, também é assim. Olhei em sua direção boa parte da noite e ele só abaixava o olhar. Até que o tirei pra dançar. Então, ao contrário dos parceiros de dança de salão comuns tentou me beijar no final. Dançava mal..., e seu corpo era tão semelhante ao do meu namorado que senti vontade chorar. Porque F. não estava ali comigo?

Pois é, homens difíceis, reservados, misteriosos, sérios, tímidos me atraem. Não podemos esquecer o maior exemplo de todos, o Sr. G, que com sua reserva quase absoluta, seu pouco senso de humor tipicamente europeu, somados à sua timidez me pareceu irresistível.

Esses homens dão oportunidade às mulheres de ocuparem outro papel, diferente da gazela caçada. Diante deles podemos dominar, agir, tomar iniciativas, enfim, recusar a passividade que se espera do feminino. Ou seja, com esse tipo podemos ser como homens. O desafio que se nos impõe esses seres distantes é muito excitante. Repentinamente me vejo como uma louca cheia de fantasias de dominação. E isso tudo se resume em poder. Preciso ler mais Michel Foucault.

O primeiro que beijei era caladão, tímido, misterioso e dizia que são as mulheres que escolhem. Daí eu dava indiretas de que gostava dele e ele nada... Esse é o problema desses tipos. Ou você segura o rosto dele e beija ou nada vai acontecer. Alguns modelos mais modernos funcionam por comando de voz: “me beija”. Outros precisam de algum amigo que o oriente e dê coragem.

Após fisgar sua presa você se depara com um namorado tímido, bobo, inocente, caipira, caseiro, morno, dependente ou ciumento. Porque é isso que existe atrás da fachada do homem reservado. Ele não é reservado à toa. E você que é dominadora, uma verdadeira viúva negra, uma fêmea de gafanhoto devoradora de cabeças, cai numa terrível armadilha. Porque apesar de tudo você tem coração, se apega. E agora não pode mais voltar atrás, tem que ser responsável por aquele que cativou. Os campos de trigo sempre lhe lembrarão os cachinhos dourados dele e pior, vão lhe fazer chorar, assim como quando você dançar com um rapaz que tenha o corpo parecido com o dele.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Coco antes de Chanel

Jornal Hoje em Dia, caderno de Cultura, coluna Cinemas. Um lançamento: Coco antes de Chanel, descrição: Garota começa a desenhar chapéus que se tornam cada vez mais populares, e revoluciona a moda ao se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época. Estranho, vi o filme, e confesso que se tratando da história de uma estilista esperava a descrição de toda a trajetória profissional até a morte. Imaginava dificuldades, reviravoltas, suspense, situações inusitadas. Contudo, o filme só aborda o que seu nome propõe: Coco antes de Chanel. Não ficamos sabendo da evolução provavelmente vertiginosa de seu sucesso profissional. O enredo conta apenas sua vida sentimental, e a propósito estou ouvindo Only you, Elvis Presley, a pedido de uma colega com dor de cotovelo. Em resumo, Gabielle Bonheur Chanel cresce num orfanato, torna-se uma jovem desconfiada do amor, apaixona-se e seu amado morre após pouco tempo de relacionamento. Amargurada, Coco torna-se uma workaholic de muito sucesso, fim. Não gostei. Só na cena final é que temos um desfile com algumas de suas criações. Pensei que seria um almanaque da moda. Uma pequena história do vestuário feminino. Definitivamente, eu não queria saber como era Coco antes de Chanel.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um dia feliz às vezes é muito raro...

Dicas para ter um bom dia: Não converse com pessoas que falam demais. Não comece a ver um filme que você não recebeu indicação. Não ligue para a pessoa amada apenas para saber o que ele(a) está fazendo. Não leia blogs com postagens extensas e pretensiosas. Não abra e-mails daquele seu amigo careta.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sherlock Holmes

Comecei a trabalhar. Não vou falar disso, porque seria muito chato. Além disso o ambiente aqui não é nada estimulante. Nesse momento de transição, não li nada ficcional. Aliás, coisa estranha. Eu queria tanto acabar a monografia para poder ler uns livros irresistíveis que vi por aí, e depois que acabei não li quase nada. Não rendeu. Também perdi o acesso à biblioteca da facu. A da minha cidade é até boa, mas fica um pouco fora de mão. E parece que fiquei viciada em artigos. Sinto às vezes uma necessidade de ler uma crítica ou um trabalho acadêmico qualquer. É como aquela musiquita linda de Pato Fu: “... a gente se acostuma com tudo, a tudo a gente se habitua...”, que passo a dar play agora. Quero mais literatura na veia, não posso me deixar levar pela correria da minha nova rotina. O que fazer? Já tive um incentivo esses dias. Assisti o novo filme Sherlock Holmes. Para mim é como um dejà vu. Esse detetive foi a minha primeira paixão literária, aos 12 anos mais ou menos. Acho que foi como tudo começou. Será o indício de um novo começo? Elementar meu caro Watson....rs. Olha, eu evitei as disciplinas sobre cinema da facu, eram técnicas demais. Mas me arrisco a falar em tom pessoal sobre esse filme. Bom, dizem que as histórias do nosso caro Holmes já inspiraram muitas películas. Então, posso deduzir que Sherlock Holmes conversa com toda essa gama de representações. Daí talvez provenha um certa ausência de identificação dos atores com os personagens. Não lembro detalhes de livros de 12 anos atrás, mas fica um imaginário. Direito de interpretação que cada leitor (e consequentemente cada diretor) tem de imaginar como quiser? Sim, estou levando isso em conta. Mas até pelo filme ser uma aventura que não consta dos escritos de Conan Doyle, sinto um certo descompromisso e liberdade de modificar a imagem dos protagonistas. E somando-se a necessidade de se fazer algo diferente do que já foi filmado à chamada “morte do autor” de Barthes, que nos permite abrir o leque de interpretações, temos nesse novo filme um Sherlock bonitão, engraçado e um Watson também bonitão e bem mais esperto do que o leitor poderia se lembrar. E acho que exploraram pouco a capacitadade de dedução do Holmes, que pra mim é o que mais impressiona.

E quanto à locação, cenário, figurino foi tudo bem “esclarecedor”. Sou mineira, daí imaginava as aventuras numa Mariana, numa Ouro Preto ou Diamantina da vida, com aqueles casarões históricos e as carruagens circulando. Aliás, lembro de uma tradução que usava o termo cabriolé, rs. Mas não, não conseguia imaginar uma Londres antiga assim, toda enlameada, rs. É claro que eu adorei, . O meu Sherlock era ótimo, admirável. Mas não era atraente assim. As leitoras agradecem. E fiquei instigada a correr atrás dos filmes antigos que devem satisfazer melhor meu lado leitora cão de guarda.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Tudo passa e eu ainda...

Semana passada fui ao show da Ana Carolina. E essa semana estou com uma música na cabeça que não me deixa hora nenhuma: O Avesso Dos Ponteiros Composição: Ana Carolina Sempre chega a hora da solidão Sempre chega a hora de arrumar o armário Sempre chega a hora do poeta a plêiade Sempre chega a hora em que o camelo tem sede O tempo passa e engraxa a gastura do sapato Na pressa a gente nem nota que a Lua muda de formato Pessoas passam por mim pra pegar o metrô Confundo a vida ser um longa-metragem O diretor segue seu destino de cortar as cenas E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos E já não vai mais ao cinema Tudo passa e eu ainda ando pensando em você Tudo passa e eu ainda ando pensando em você (...) O tempo faz tudo valer a pena E nem o erro é desperdício (...) Ai, seria muita neurose interpretar esse você como sendo o Sr. G? Vou deixar em aberto. Adorei o show. Dancei e beijei muito F. E achei graça de perceber que ela não é magrinha como nas fotos publicitárias. Pelo contrário, tem um quadril bem largo. Tem o corpo da minha mãe. E estava tão elegante de terninho, rs.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Certeza da sedução ou sedução da certeza

Estava vendo um filme agora. Não lembro o nome, também não importa, minha memória é normal, ou seja, fraca e conveniente. O casal do filme se forma rápido. Ele a escolhe através da troca de olhares, faz a abordagem e no final da noite já está dizendo que ela é a sua namorada e que ele nunca vai deixá-la. Essa certeza implacável a apanha. Dormem juntos e ela o segue até a morte. Certeza, determinação e perseverança. Será que há algo mais sedutor?

Meus pais sempre contam que meu pai estava de olho em minha mãe há algum tempo. Um dia a abordou, segurou sua mão, perguntou se ela tinha namorado – Não... – Então, eu sou seu namorado. E passou a ser mesmo.

Quando fiquei pela primeira vez com meu namorado tinha certeza de que seria uma vez só, porque não tínhamos nada em comum. Mas ele conversou comigo sobre continuarmos nos vendo. Ele tinha tanta certeza sobre sua vontade de me ver novamente, que apesar de estar tão enrolada... me envolvi. Não saberia explicar o desenvolvimento passo a passo, porque minha memória normal, repito, é fraca e conveniente. Sei que nos vemos outras vezes e resolvi meus rolos para que pudéssemos namorar.

Quando as coisas estão mal sempre me permito pensar em terminar e até expor isso a ele. Mas se ele o faz, fico ofendida. E ele já questionou isso – não é tão bobinho assim. Mas é que eu preciso me enganar com a certeza dele. Apenas em poucos momentos suporto a tensão de dar a certeza enquanto ele está em dúvida. É definitivamente broxante. É quase como na transferência da análise, é preciso que eu suponha nele um saber. Preciso crer que ele tem motivos para acreditar nesse relacionamento, motivos que eu desconheço.

E parece que se dá o mesmo na literatura. Dizem sobre a ficção que o personagem precisa convencer o leitor. E que o personagem precisa convencer primeiro o próprio escritor. Parte desse processo é alcançado pela verossimilhança. Mas como as formas de retratar o real estão cada vez mais revolucionárias, agora verossimilhança é quase sinônimo de inverossimilhança. Quanto mais absurda a abordagem mais "reais" as cenas se tornam para nós expectadores. Porque aquele real quadradinho não consegue mais traduzir nossas experiências, se é que antes conseguia. Não nos identificamos porque o real é muito mais.

Mas eu queria é contar uma situação embaraçosa. Fui a um bairro diferente hoje acompanhando meu pai que ia resolver umas questões domésticas. Vimos no caminho um homem que me pareceu extremamente familiar. Meu pai não o conhecia e eu não lembrava onde vira o sujeito de forma alguma. Parecia que era de um lugar que eu ia com frequência. Mas ultimamente não tenho ido a lugar algum. Na volta o vimos novamente, varrendo a calçada e de novo a forte impressão. Pode ser um segurança, caixa, vendedor – meu pai ficou chutando. Repentinamente lembrei, é um dos atendentes do motel que frequento. Calei, tentando parecer resignada por não conseguir me lembrar.

Há sempre uma razão para não nos lembrarmos de algo. O recalque sempre nos protege. Além de tudo a nossa memória é muito manipuladora e infiel. Não se pode confiar nela. Não se pode ter a certeza que tanto precisamos. Por isso digo que minha memória é normal: fraca e conveniente.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Alegria, raiva, decepção, amor e felicidade

Essa semana foi muito agitada. Foi a minha colação de grau. Eu passei vários semestres pensando (assim como várias amigas pensam) que iria chorar muito na cerimônia, que passaria por minha cabeça todos os momentos difíceis, que seria emocionante como um casamento, e até mais, porque, hoje o diploma é mais importante na vida de uma mulher. E também eu havia sentido muita vontade de chorar na colação de outras pessoas. Contudo, o clima era de animação, de festa, de zueira. Somente quando entrávamos no auditório, ao som de Oh Happy Day instrumental em flauta e um lindo piano preto com cauda é que senti uma levíssima emoção e meus olhos ficaram úmidos. Mas secaram no mesmo instante e voltei a ficar animada. Muitos discursos inteligentes, poéticos e engraçados. Não vi ninguém chorar. Foi tudo lindo.

Bom, aconteceram muitas coisas ruins no resto da semana. O professor de dança sumiu no dia da aula e eu quase morri de raiva. Pouquíssimos convidados apareceram na comemoração que planejei numa boate, contudo os que apareceram eram os mais chegados e a noite bombou demais. Fui deixada de lado pela milésima vez pela mesma "amiga" e sonhei com ela hoje. A Srta. A me contou que ficou com o Sr. L, daquela história passada (vide Sonho Constrangedor). Tudo bem, fiquei surpresa com a cara de pau dela em ter negado tudo antes, mas o problema não foi esse. Ela nem me avisou que não iria poder comparecer ao meu convite da boate. Nem respondeu o convite e nem atendeu minha chamada. A maior falta de consideração. Provavelmente teve planos mais interessantes com o Sr. L. Agora que estou fora do caminho ela não precisa mais se preocupar comigo. Talvez ela até sentiu medo de que ele tivesse uma "recaída" quando me visse na boate. Afinal, eu comentei com ela que havia brigado com meu namorado.

Sonhei que estava no trabalho com o tal Sr. L. A sala de trabalho é a sala de minha casa. Ele estava especialmente atencioso, de um modo suspeito. Ele me abraça apertado e não solta mais, me sacudindo levemente. E eu fico sem graça e falo: você tá ninando eu? (em tatibitate, brincando com ele). Pelo espelho vejo que estou de blusa e scarpin vermelhos. Vejo também que são 1 hora. Esse é o horário da Srta. A chegar. E ela chega, olha a cena sem graça e eu mais sem graça digo oi. Ela responde bem choca e falsa: oi, e vira o rosto para o outro lado do batente, como costuma fazer às vezes no serviço. Nesse momento tenho certeza que a cena foi uma armação para causar ciúmes na Srta. A. O Sr. L me solta e diz para um cara que chega: precisa conhecê-la (referindo-se a mim), ela é demais. O cara nem dá papo e eu acordo.

Logo, penso que o desejo do sonho é uma vingancinha óbvia demais. Mas outros elementos me deixam em alerta. Esse detalhe do sapato e blusa vermelha. Lembro que usei uma roupa assim quando estava ficando com o Sr. Tenho namorada que me deixou. Foi o melhor dia que estivemos juntos. Beijamos intensamente durante horas. Mas quem me incomoda nessa história toda é ela. A Srta. A é que foi falsa, sempre fingindo ser minha amiga. Sempre quis o Sr. L pra ela. Mas era por mim que ele se interessou quando nos conheceu. Inconscientemente todas as nossas piadas tinham conteúdo sexual. Era atração pura. O problema não é o garoto. Ela é que ficou com raiva de mim por causa disso. O que sei é a censura do inconsciente falhou e eu acordei às 7 da matina e não consegui dormir mais.

E porque eu não peguei o Sr. L? Por causa do meu namorado, F. Na época o namoro estava um pouco fraco, mas não quis trair, nunca traí ninguém e não vi motivo pra isso. Mas agora estamos tão bem. Estou apaixonada novamente, e já estamos chegando ao 3° ano de relacionamento. Acho que trair nunca vale à pena, nem faz sentido, porque se está tão ruim assim é melhor terminar. E se você não consegue terminar é porque gosta mesmo e deve tentar resolver as coisas.

Voltei a crer que F é a pessoa com quem vou passar o maior tempo da minha vida. Essa frase é uma forma de dizer sem romantismo que ele é o amor da minha vida. Sou cética, não devo ficar declarando essas coisas, rs. Esses dias, como hoje, dias tão simples. Mas tão repletos de significado. Não temos nada em comum a não ser o senso de moral. Já aprendemos muita coisa sobre como conviver bem com nossas diferenças. Ele está a cada dia mais bonito e mais amoroso. Estou feliz.

domingo, 7 de março de 2010

O mundo é podre

Hoje estive pensando sobre uma das frases mais simples e mais verdadeiras "O mundo é podre". Ano passado eu costumava zuar dizendo que essa seria a epígrafe de minha monografia. É que estive lendo uma reportagem da Revista Época (dez/09). Essa revista é apenas uma revista de fofocas e curiosidades, o diferencial dela é que se restringe ao mundinho da Globo. Só uma reportagem me pareceu relevante, a respeito do favoritismo no processo de seleção das universidades públicas do país. Fiquei assustada porque percebi o que as pessoas queriam me dizer com: faça o mestrado logo após a graduação, aproveite que você ainda tem contatos. O "Quem Indica" parece ser o fator fundamental para passar na seleção. Fiquei preocupada triplamente. Primeiro por imaginar que as pessoas passam porque já fizeram iniciação científica com algum professor da pós e para as que não conhecem ninguém é quase impossível entrar. Segundo porque não sei se os professores que podem me dar a famosa carta de recomendação poderão me ajudar nessa disputa. E terceiro porque o Sr. G pode ter pensando que quando insinuei meu interesse por ele tinha terceiras intenções ou fui interesseira. E é justamente o contrário. Uma das coisas que mais me animam a fazer mestrado é poder revê-lo. É terrível pensar que ele possa confundir meu interesse sincero pela pessoa dele com uma busca de favores. Mas o mundo é movido por politicagem! Pode parecer ingenuidade minha, mas isso me revolta. E tive outro exemplo mais baba ainda nessa semana. Estava lendo um artigo sobre a História da Literatura Brasileira. Chama-se "O Livro que saiu do cânone" de Sônia Maria van Dijck Lima publicado na Revista Anpoll 13. Nesse artigo ela conta que o primeiro livro do Guimarães Rosa, "Sagarana", ainda inédito, disputou um prêmio literário em 1938 e perdeu para "Maria Perigosa" de um tal de Luís Jardim. Depois em 1946 Rosa publica seu livro um pouco modificado e se torna um sucesso e o Luís Jardim cai no esquecimento. Acontece é que o Rosa foi trabalhar num alto posto da administração pública, como esclarece Sônia Lima, citando um jornal carioca da época. Ou seja, não basta ser bom. E os dois são bons. Mas é preciso ter QI, costas quentes, influência, contatos, existem vários nomes pra essa injustiça. Essa é a diferença essencial entre eles, afinal, Rosa ou Jardim dá na mesma, não é? Na verdade a temática de ambos é muito semelhante. E um dos componentes da banca desse concurso foi o Graciliano Ramos. E ele votou no Luís Jardim. Isso é sinal de que deve valer a pena garimpar um exemplar de "Maria Perigosa". Confio muito no gosto do Graça.